Na quarta-feira (26), a ativista Ana Paula Oliveira, uma das fundadoras do grupo Mães de Manguinhos, recebeu o prêmio Martin Ennals de direitos humanos em uma cerimônia realizada em Genebra, na Suíça.
O prêmio é considerado um dos mais importantes do mundo na área de direitos humanos e foi entregue pelas mãos do alto-comissário de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o austríaco Volker Türk.
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Em seu discurso, Oliveira dedicou o prêmio ao seu filho, Johnata de Oliveira, assassinado por um policial militar na favela de Manguinhos, em 2014, e à ativista Marielle Franco, também assassinada em 2018 por um ex-policial militar.
“Falar de Marielle Franco me faz lembrar que não foi fácil chegar até aqui e que ela, desde o início, foi uma das grandes incentivadoras para que eu estivesse na luta”, disse a ativista ao receber o prêmio.
Parte da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) à época da morte de Johnata, Franco foi uma das primeiras pessoas a entrar em contato com Ana Paula após o crime.
“O Brasil não tolera mulheres negras oriundas de favelas que ousam levantar a voz para denunciar as violências e as violações de direitos humanos”, alertou Ana Paula no púlpito em Genebra.

A ativista também afirmou em seu discurso que espera que o prêmio dê visibilidade aos altos índices de letalidade e encarceramento da população negra no Brasil.
“Precisamos que o Estado brasileiro seja pressionado a tomar medidas urgentes para reduzir o alto índice da letalidade policial, para que haja reparação imediata às famílias e investigações imparciais, independentes e efetivas. O Estado precisa ser responsabilizado em todas as cadeias de comando”, defendeu.
Ana Paula Oliveira também lembrou que mães de vítimas do Estado no Brasil sofrem por sua saúde mental em meio à demora do sistema judicial, mas ressaltou que essas mães não permitirão que esse medo as paralise. A ativista aguarda há 11 anos por justiça no caso de seu filho.
“Estamos cansadas de esperar e lutar por justiça. Esse prêmio não ameniza a nossa dor, mas dá visibilidade e fortalece o nosso grito. E é através da minha voz que eu honro a memória do meu filho e de todos os outros filhos que perderam suas vidas nas mãos do Estado brasileiro”, ressaltou.
Ana Paula Oliveira também fez um apelo à ONU e à comunidade internacional para que se juntem à luta das mães de vítimas do Estado brasileiro.
“Nesses 11 anos, tenho dito que essa luta não pode ser somente das mães que perdem seus filhos, das mães que já estão adoecidas por conta dessa violência que nos atinge. Essa luta precisa ser de toda a sociedade”, concluiu.