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Vítimas de rompimento de barragem em Mariana (MG) denunciam ameaça de despejo

Famílias atingidas pelo desastre de Mariana afirmam que podem perder o auxílio-moradia após recusarem acordo de indenização proposto pelas mineradoras, considerado insuficiente
Escombros de casas atindidas pelo rompimento da Barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues (MG).

Escombros de casas atindidas pelo rompimento da Barragem do Fundão, no distrito de Bento Rodrigues (MG).

— Reprodução/Léo Rodrigues/Agência Brasil

4 de junho de 2026

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) recebeu, em audiência pública na terça-feira (2), a denúncia de cerca de 40 famílias atingidas pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, em novembro de 2015. A população relata a ameaça de despejo pelas empresas Samarco, Vale e BHP Billiton, responsáveis pelo lançamento de mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos na Bacia do Rio Doce. 

O desastre atingiu ao menos 45 municípios mineiros e do Espírito Santo, incluindo comunidades quilombolas, centros urbanos e diversas plantações. Na ocasião, 19 pessoas morreram e centenas ficaram desabrigadas.

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A representante do Quilombo de Gesteira, no distrito de Barra Longa, destacou que a Samarco ofereceu R$ 8 mil para a reconstrução de sua casa, proposta considerada insuficiente para cobrir os custos. O município foi o único que teve seu centro urbano atingido pela lama de rejeitos. 

Leia mais: Samarco deve pagar mais R$ 217,6 milhões a vítimas de rompimento de barragem

Ela afirma que, diante do impasse, a população vem sendo notificada de que pode perder o auxílio-moradia pago pelas empresas para custear o aluguel dos imóveis onde residem atualmente. Outra moradora da cidade afirma que as casas oferecidas estão localizadas em área de risco. 

A promotora de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Shirley Machado de Oliveira, explicou que o acordo das moradias foi celebrado numa ação pública, já homologada, que previu aos proprietários a prioridade no recebimento de casas. A reparação ocorreria desde que assinassem o acordo e excluiria aqueles que morassem de aluguel.

De acordo com uma auditoria do órgão, das 43 famílias impactadas, 32 tinham moradia temporária e 11 moravam de aluguel. Para ter direito ao acordo, também era necessário comprovar que os danos sofridos estavam relacionados ao rompimento.

Outro critério determinava a necessidade de um laudo da empresa Aikon confirmando que a moradia foi afetada e a aceitação do valor da indenização definido no acordo. As condições foram rejeitadas pela maioria das pessoas.

Leia mais: Mulheres do MST ocupam áreas da Samarco em protesto por crimes ambientais da Vale

Para a deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT), requerente da reunião, a situação reafirma o crime de 2015 e demonstra a omissão do Estado na reparação às vítimas do rompimento. 

A Alma Preta procurou as mineradoras Samarco, Vale e  BHP Billiton e questionou um parecer oficial sobre a denúncia de ameaça de despejo, mas não obteve retorno das empresas até o momento da publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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