A rapper Ebony criticou a indústria musical durante seu discurso ao receber o prêmio de Revelação do Ano na 9ª edição do WME Awards, principal premiação dedicada às mulheres na música brasileira. A cerimônia foi realizada na quarta-feira (17), no BTG Pactual Hall, em São Paulo.
A artista destacou a contradição da premiação no cenário do rap nacional. Há oito anos Ebony atua na música, com uma carreira consolidada com faixas que já entraram nos charts, três álbuns lançados e mais de 300 milhões de streams, e só agora veio esse reconhecimento.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
“Quanto uma mulher negra do rap precisa conquistar para ser revelação? Será que essa régua é igual para artistas de outros gêneros?“, questionou.
Para a rapper, a indústria musical é “traiçoeira com mulheres negras”, além de hipersexualizar seus corpos e não promover visibilidade na mídia. A cantora disse ainda que “a indústria finalmente está escutando e dando atenção às mulheres excelentes que estão determinando o novo cenário da nova geração do rap feminino”.
A artista também exigiu o apoio do setor com artistas que abriram caminhos no gênero musical, como Sharylaine, pioneira do rap feminino no Brasil, além de Negra Li, Dina Di, Kamila CDD, Cris SNJ e Karol Conká, e cobrou atenção para artistas transgênero e fora do eixo Rio–São Paulo.
“Peço que a indústria apoie as verdadeiras revelações, como Afreekasia, Ciça, Torya. Peço que a indústria apoie MCs fora da região do eixo Rio-São Paulo, como Nic Dias e Áurea Semiseria. Peço para que a indústria apoie MCs trans como a Bixarte, Monna Brutal, a Zaila, entre tantas outras”, afirmou.
Ao final do discurso, Ebony dedicou o prêmio à rapper Nanda Tsunami, considerada por ela como a verdadeira Revelação do Ano.
Cerimônia homenageou Preta Gil
Nesta edição, o WME Awards prestou homenagem à cantora Preta Gil, reconhecida por sua trajetória artística marcada pela inclusão, diversidade e representatividade na música brasileira. A premiação reuniu criadoras, profissionais e vozes que movimentam o mercado musical.
Com 17 categorias, o evento destacou diversas artistas negras entre as vencedoras. Liniker foi premiada como Compositora do Ano, Semayat Oliveira venceu na categoria Jornalista Musical, Luedji Luna recebeu o prêmio de Cantora do Ano, Ajuliacosta venceu em Música Alternativa com a faixa “Dharma”, do álbum “Novo Testamento”, e Gaby Amarantos conquistou o prêmio de Álbum do Ano com “Rock Doido”.