PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Concentração de riqueza ameaça democracia na América Latina, diz estudo

Relatório da Oxfam Brasil aponta que, entre 1990 e 2019, mais de um quarto do retrocesso democrático na América Latina foi causado pelo aumento de poder corporativo
Notas de dólar, moeda dos Estados Unidos.

Notas de dólar, moeda dos Estados Unidos.

— Reprodução/Marcello Casal jr/Agência Brasil

19 de janeiro de 2026

Um estudo da Oxfam Brasil, divulgado no último domingo (18), indica que, na América Latina e no Caribe, as regiões com desigualdades econômicas mais acentuadas apresentam sete vezes mais riscos de retrocessos democráticos.

O relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários” analisa a concentração da extrema riqueza nos países latinos e como ela põe em risco direitos humanos, liberdades civis e a garantia do Estado de direito.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O documento aponta que, segundo o estudo “O poder corporativo e o declínio da democracia”, do mestre e pesquisador estadunidense em economia Seda Basihos, estima-se que, entre 1990 e 2019, mais de um quarto do retrocesso democrático mundial pode ser explicado pelo aumento do poder corporativo.

Na América Latina, a maior parte da riqueza dos bilionários se concentra nos setores de finanças (27,45%), telecomunicações e mídia (20,63%), e energia e recursos naturais (17,45%). Juntos, eles representam 65% de sua riqueza combinada em 2025.

Considerando o intervalo de 2000 a 2025, o estudo destaca que ao menos 16 presidentes em 11 países da região chegaram ao governo com histórico como proprietários, acionistas ou altos executivos de empresas, como bancos, grupos de mídia e conglomerados agroindustriais.

O levantamento também indica que a presença das elites econômicas nas esferas de governança é ampliada nos mandatos presidenciais com forte vínculo empresarial. Para os bilionários, a chance de ocupar cargos políticos é quatro mil vezes maior do que a de um cidadão comum.

A entidade destaca que o fenômeno é perigoso, pois permite que a iniciativa privada influencie regulamentações, molde a opinião pública e altere os rumos de disputas eleitorais, podendo até bloquear concorrentes.

“A concentração econômica não apenas agrava a desigualdade nos mercados, mas também se traduz em uma captura progressiva das instituições, enfraquece a representação e limita a capacidade do Estado de governar em favor das maiorias”, diz trecho do relatório.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano