PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

MPF pede suspensão de desapropriação feita sem autorização da União em Sergipe

A ação civil pública ajuizada pelo MPF destaca que o município de Barra dos Coqueiros não solicitou autorização para desapropriar a área pertencente à União
Imagem da placa do Ministério Público Federal (MPF). A instituição pública entrou com uma ação para garantir a demarcação da Comunidade Quilombola Zumbi, em Maragogipe (BA).

Imagem da placa do Ministério Público Federal (MPF). A instituição pública entrou com uma ação para garantir a demarcação da Comunidade Quilombola Zumbi, em Maragogipe (BA).

— Reprodução

5 de março de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça Federal pedindo a suspensão dos atos de desapropriação e intervenções na Comunidade do Estaleiro, na cidade de Barra dos Coqueiros, na região metropolitana de Aracaju (SE).

A ação civil pública questiona o Decreto Municipal nº 1.055/2025, assinado pelo prefeito Airton Martins (PSD) em abril, que declarou como utilidade pública uma área de aproximadamente 239 mil metros quadrados para a ampliação da Avenida Vereador Adelmo Apóstolo e para o acesso a uma nova ponte entre o bairro e a capital sergipana. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Segundo o órgão, cerca de 34 mil m² da área pertencem à Marinha, integrando o patrimônio da União. O município teria iniciado a desapropriação sem a autorização da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), ação necessária para intervir em terrenos desse tipo. Além da falta de anuência, o MPF destaca que o licenciamento ambiental foi emitido sem a devida transparência e participação social. 

O pedido de tutela urgente ajuizado pelo ministério requer a interrupção imediata de qualquer ato expropriatório relacionado à região, até que pontos fundamentais sejam esclarecidos. 

Entre as exigências, está a verificação da conformidade das obras com as autorizações federais pertinentes, a titularidade da área e a adoção de medidas que garantam a proteção efetiva da população residente. 

O processo também pede a realização de um diagnóstico socioeconômico e a apresentação de um plano de reassentamento das famílias, das quais muitas estão estabelecidas no Estaleiro desde 1990.

“Não se trata de obstar o desenvolvimento urbano, mas de assegurar que esses empreendimentos não impliquem a violação de direitos fundamentais das famílias, sobretudo quando estão em jogo territórios historicamente ocupados”, declarou o procurador da República Ígor Miranda da Silva em nota do MPF. 

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano