PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Governo do Pará mantém estudantes quilombolas sem aulas há 11 meses, diz MPF

Órgão aponta omissão do governo estadual, contesta alegação de falta de recursos e classifica paralisação como racismo institucional
Um adolescente segura uma caneta.

Um adolescente segura uma caneta.

— Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil

3 de março de 2026

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou novas manifestações à Justiça Federal para garantir a retomada das aulas do ensino médio em 14 comunidades quilombolas de Santarém, no oeste do Pará. Segundo o órgão, os estudantes estão há cerca de 11 meses sem atividades escolares.

Em nota, o MPF declara que a interrupção decorre da ausência de professores na rede estadual e atinge exclusivamente alunos quilombolas da zona rural. Escolas da área urbana seguem com funcionamento regular. A paralisação prolongada, aponta o comunicado, configura omissão administrativa com impactos pedagógicos e sociais graves.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A ação foi ajuizada em setembro de 2025, quando a suspensão das aulas já durava sete meses. À época, a Justiça Federal concedeu liminar determinando que o estado apresentasse plano para contratação de docentes e retomada imediata das atividades.

Em novembro, o governo estadual contestou a decisão e recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), alegando entraves burocráticos, limitações orçamentárias e a necessidade de inclusão da União no processo.

O Ministério Público destaca que a falta de contratação para atender 174 estudantes representa uma escolha administrativa que impacta desproporcionalmente comunidades tradicionais, conduta classificada como racismo institucional.

Além da retomada das aulas, o órgão pede a condenação do estado ao pagamento de R$ 700 mil por danos morais coletivos, com destinação a políticas educacionais nos territórios afetados. O órgão sustenta que a paralisação já provocou evasão escolar e retrocesso social nas comunidades quilombolas de Santarém.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano