Um relatório da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) indica que somente 60% dos pedidos de acesso a imagens de câmeras corporais solicitadas durante audiências de custódia foram atendidos pela Polícia Militar (PMRJ).
Segundo o órgão, das 2.501 solicitações registradas entre maio e dezembro de 2025, apenas 1,5 mil vídeos foram disponibilizados.
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Foram 337 casos negados formalmente (13,5%), além de demora na resposta e um volume expressivo de pedidos sem retorno. Também houve informação de que os agentes envolvidos não utilizavam câmeras.
No Núcleo de Custódia de Benfica, que concentra a maior demanda da Defensoria fluminense, foram 309 requisições negadas, número que representa 14,7% do total.
Outros 16,6% aguardavam retorno no momento da consolidação dos casos. Em 12,1% (255) das ocorrências, os agentes não utilizavam câmeras corporais.
O uso dos dispositivos pelas polícias do Rio foi determinado em 2021, após o massacre do Jacarezinho, que resultou em 28 mortos. A implementação teve início após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em maio do ano seguinte, sendo implementada pelo Batalhão de Operações Especiais somente em 2024. Atualmente, cerca de 13 mil câmeras estão em operação no Estado.
No último domingo (15), um novo caso de letalidade policial chamou a atenção para o uso correto dos equipamentos. A médica negra Andréa Marins Dias, de 61 anos, foi morta por tiros de fuzil em uma abordagem policial na Zona Norte do Rio.
Testemunhas relatam que os policiais militares confundiram seu carro com o de criminosos. No entanto, os três PMs envolvidos estavam com os dispositivos descarregados e não registraram a ocorrência.