Boston, EUA – Já pensou em usar tecnologia para impulsionar o desenvolvimento social da população negra? Essa é a proposta da YÁ, assistente virtual criada pelos profissionais Péricles Oliveira, Luã Mota e Adriele Ornellas.
O projeto foi premiado no programa AI4Good durante a Brazil Conference em Harvard e MIT e apresentado à equipe da Alma Preta como uma solução inovadora de impacto social baseada em inteligência artificial.
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A ferramenta foi desenvolvida com foco em acessibilidade. O uso não exige download de aplicativos nem familiaridade com termos financeiros complexos, permitindo o registro de gastos por texto, áudio, foto ou vídeo. A proposta é simplificar o controle financeiro e ampliar o acesso a soluções tecnológicas para públicos historicamente excluídos.
Segundo o engenheiro eletricista e mestrando em IA aplicada, Péricles Oliveira, a iniciativa nasce de uma realidade concreta.
“Salvador é a capital com maior número de mães solo. A sensibilidade para a iniciativa é influenciada pela minha vivência próxima a essas mulheres”, afirma.
Cuidando de quem cuida: impacto social e dados
De acordo com pesquisa da FGV, cerca de 11,3 milhões de lares no Brasil são chefiados por mães solo, sendo que 64% vivem em situação de pobreza. Nesse contexto, a YÁ surge como uma ferramenta para gerar visibilidade financeira, transformar dados em autonomia econômica e contribuir para a criação de políticas públicas mais eficazes.
Além disso, o projeto busca reduzir o estresse e a ansiedade relacionados à gestão financeira. Mesmo em fase piloto, os resultados já indicam impacto: das 14 mães solo pré-registradas, dez utilizaram a ferramenta ativamente, cinco tiveram uso significativo e três apresentaram mudanças concretas na organização financeira.
O diagnóstico inicial, conduzido por Adriele Ornellas com 23 participantes, revelou que 56% não possuem nenhum método de controle financeiro e 70% desejam alertas preditivos sobre seus gastos.
“A resposta mais comum sobre o que faria elas abandonarem um assistente financeiro foi: julgamento. A YÁ foi desenhada para nunca fazer isso. Ela acolhe, organiza e devolve controle”, explica a pesquisadora de UX.
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Projeto premiado mira expansão nacional e internacional
Reconhecido no programa AI4Good, o projeto ganha força ao se conectar com outras iniciativas durante a conferência.
“A Brazil Conference é um espaço estratégico de conexões. Isso fortalece parcerias, amplia o alcance da ideia e impulsiona o piloto”, destaca Luã Mota, cofundador e arquiteto de software.
A proposta é escalar a solução para além de Salvador. “É um produto escalável porque o problema é nacional. Começamos localmente, mas nosso objetivo é expandir para outras regiões do Brasil e também para o cenário internacional”, completa.