A produtora cultural Sandra Campos morreu nesta quinta-feira (9), aos 69 anos. A informação foi divulgada em seu perfil nas redes sociais. A causa da morte não foi revelada.
A profissiona havia passado mal na noite de terça-feira (7) durante uma atividade acadêmica no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Ela participava da palestra “Quintais Culturais: espaços de vivência, memória e produção de saberes”, atividade do Programa de Pós-graduação em Artes.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A palestra começou às 19h e integrava a disciplina “ReEncantar para Educar – Experiências e Vivências Artísticas com Mulheres Negras, artistas, mestras e produtoras da cidade de São Paulo”.
Segundo a Unesp, Sandra sofreu um mal súbito durante a apresentação. Pessoas no local a socorreram, mas ela não resistiu.
Sandra era formada em Sociologia e Antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e construiu uma trajetória de 40 anos na promoção da cultura negra e periférica em São Paulo.
Nascida e criada no bairro da Barra Funda, na região central da capital, Sandra atuou junto a grupos de expressões artísticas periféricas, como samba de bumbo, jongo, congada e capoeira.
Também fomentou movimentos como o hip-hop e os blocos afros. Ela esteve à frente do bloco afro Ilú Obá de Min e participou da criação do Programa Jovem Monitor Cultural, política pública que serviu de referência para outras cidades.
Homenagens destacam legado
A deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP) lamentou a morte nas redes sociais.
“Sandra Camposs foi uma presença marcante na cultura e na educação do nosso estado. Com uma trajetória profundamente comprometida com a valorização das culturas negras, tradicionais e populares, atuou de forma incansável junto a diferentes territórios e comunidades, sempre com compromisso e sensibilidade”, escreveu.
“Nos últimos anos, dedicou-se à formação de jovens e contribuiu para o fortalecimento do Programa Jovem Monitor Cultural como política pública, ampliando oportunidades e abrindo caminhos para novas gerações. Seu legado permanecerá vivo nos corações que tiveram suas vidas tocadas por essa atuação tão marcante. Sandra Camposs, muito obrigada por absolutamente tudo”, completou Leci Brandão.
O ex-deputado federal Vicentinho (PT-SP) também prestou homenagem em publicação em seu perfil nas redes sociais.
“Com muita tristeza recebo a notícia do falecimento de Sandra Campos. Sandra foi uma educadora e produtora cultural de grande importância, uma mulher que dedicou sua vida à valorização das culturas tradicionais e de matriz africana na cidade de São Paulo”, escreveu.
“Sandra deixa um legado profundo de luta, resistência e construção coletiva. Sua ausência será sentida, mas sua história seguirá viva em cada iniciativa, em cada jovem e em cada expressão cultural que ajudou a fortalecer”, completou Vicentinho.
O mandato da Bancada Feminista do PSOL na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) protocolou uma moção de aplauso em homenagem à educadora em reconhecimento de sua trajetória de vida e pela sua luta contra o racismo e pela promoção da cultura negra.
“Sua atuação foi fundamental para ampliar espaços de visibilidade e reconhecimento para artistas e coletivos negros, consolidando um legado de resistência e criação”, publicou a mandata coletiva.
Leia mais: Museu Afro Brasil lança guia que mapeia acervos da cultura negra no país