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ONU registra denúncias de abuso sexual contra integrantes de missão internacional no Haiti

Quatro acusações incluem abuso sexual de menor de 12 anos e duas adolescentes de 16 anos; missão liderada pelo Quênia deixa o país, e nova força do Chade assume com promessa de prevenção
Bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU).

Bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU).

— Daniel Slim/AFP

21 de abril de 2026

A Organização das Nações Unidas (ONU) recebeu quatro denúncias de exploração e abuso sexual envolvendo membros da missão multinacional liderada pelo Quênia no Haiti. O porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, confirmou as acusações nesta segunda-feira (20).

As denúncias incluem estupro de uma menor de 12 anos, estupro de duas adolescentes de 16 anos e violência sexual contra uma jovem de 18 anos. A Missão Multinacional de Apoio à Segurança (Mass) foi implantada em 2024 e conta com mais de mil integrantes, a maioria policiais quenianos. 

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A missão não pertence à ONU, mas possui mandato do Conselho de Segurança para apoiar a polícia haitiana no combate às gangues.

A Mass está em processo de retirada. Uma nova força internacional, a Força de Repressão às Gangues (FRG), assumirá a segurança do país. O Chade, país da África Central, enviará 1.500 homens para a missão.

Não é a primeira vez que membros de uma missão internacional no Haiti são alvo desse tipo de denúncia. Os capacetes azuis da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (MINUSTAH), implantada entre 2004 e 2017, também foram acusados de violência sexual.

O Brasil foi responsável pela liderança militar da MINUSTAH durante os 13 anos em que esteve em atuação. A iniciativa foi responsável pela morte de milhares de haitianos e por denúncias de violações sistemáticas dos direitos humanos.  

Leia mais: Relatório documenta aumento alarmante da violência sexual em Porto Príncipe, no Haiti

Investigação e pressão internacional

Dujarric informou que o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos monitora, documenta e acompanha as denúncias. 

“É importante que cada acusação seja totalmente investigada pelas autoridades nacionais do país em que os membros da missão operam”, acrescentou.

Em relatório que detalha os casos, a ONU afirmou que todas as acusações foram consideradas fundamentadas após as investigações.

Na sexta-feira (17), a Human Rights Watch divulgou um comunicado sobre o caso. A organização pediu à nova força que chegará ao Haiti a adoção de “salvaguardas mais robustas para prevenir futuras violações”.

“As mulheres e meninas no Haiti enfrentam uma violência sexual generalizada. As forças internacionais enviadas para ajudar a restaurar a segurança não deveriam agravar os abusos”, afirmou a ONG.


Leia mais: Relatório denuncia recrutamento forçado de crianças e adolescentes por fome e medo no Haiti

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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