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Vagões do Metrô de SP estampam campanha contra violência sexual infantil

Ação vai até o dia 29 de maio e contempla distribuição de guias  e projeção de mensagens em vagões, totens e telões em 4 linhas do metrô; 17,5 milhões de pessoas devem ser alcançadas
Campanha do Instituto Liberta no Metrô de São Paulo busca conscientizar a sociedade sobre a violência sexual infantil.

Campanha do Instituto Liberta no Metrô de São Paulo busca conscientizar a sociedade sobre a violência sexual infantil.

— Divulgação/Trim Produções

9 de maio de 2026

O Instituto Liberta, organização sem fins lucrativos que trabalha pelo fim da violência sexual infantil por meio da comunicação e da conscientização, iniciou a ação “Conversas que protegem” no Metrô de São Paulo para chamar a atenção para a causa.

A campanha será realizada até o dia 29 de maio, período em que os vagões da Linha 3–Vermelha do Metrô da capital paulista estarão envelopados com mensagens direcionadas ao enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes.

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A partir de 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Brasil, o Liberta passa a ter ainda as mensagens projetadas em totens e telões nas linhas 1-Azul, 2-Verde e 4-Amarela, além da própria linha Vermelha, e inicia a distribuição de 20 mil exemplares do “Guia Saber Liberta”, com orientações a pais e cuidadores sobre conversas a serem adotadas com crianças de até dez anos, nas estações da Luz e República.

Com um alcance previsto de até 17,5 milhões de pessoas, o instituto quer dar visibilidade a mensagens que mostram como as crianças são as maiores vítimas de violência sexual no Brasil, com seis registros de estupros por hora na faixa de até 13 anos.

Todas as peças contarão com um QR Code direcionando o público ao “Guia Saber Liberta”. Gratuito e em linguagem acessível, o material oferece a familiares e cuidadores ferramentas e conhecimentos para conversar com as crianças de acordo com sua faixa etária e educá-las sobre temas como corpo, sentimentos, toques seguros e inseguros, pessoas de confiança e segurança na internet, fundamentais quando se trata de prevenir a violência sexual.

“Há estudos internacionais mostrando que conversar com crianças sobre corpo, toques seguros e pessoas de confiança funciona. Crianças que passam por programas de prevenção desenvolvem habilidades reais de autoproteção e, principalmente, têm muito mais chance de revelar um abuso quando ele acontece. Por isso, o Liberta criou o ‘Guia Saber Liberta’. Essa conversa precisa chegar a todas as famílias, em uma linguagem que qualquer pai, mãe ou cuidador consiga usar no dia a dia”, afirma Luciana Temer, presidente do Instituto Liberta.

Leia mais: Estudo: 11 mil meninas vítimas de estupro se tornam mães por ano no Brasil

Meninas e meninos são as principais vítimas da violência sexual no Brasil

Crianças e adolescentes são as principais vítimas de violência sexual no Brasil. Segundo os dados mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, seis em cada dez estupros no Brasil tinham como vítimas crianças de até 13 anos, sendo que 86% eram meninas. A grande maioria desses casos ocorre dentro de casa e, em 63% deles, os abusadores são familiares.

O recorte de idade, de zero a 13 anos, é utilizado porque, pela legislação brasileira, qualquer ato sexual ou libidinoso praticado com uma criança menor de 14 anos é considerado estupro. Ao expandir o limite de idade para vítimas menores de 18 anos, a situação é ainda mais grave. Crianças e adolescentes de até 17 anos representaram cerca de 78% de todos os estupros registrados no Brasil em 2024.

“Quando olhamos para os dados – 86% das vítimas são meninas, a maioria abusada dentro de casa, por alguém da família –, fica claro que precisamos de adultos informados, preparados para conversar e corajosos o suficiente para quebrar o silêncio. É com esses adultos que o Liberta quer conversar”, afirma a presidente do Liberta.

Leia mais: Entenda o que é estupro de vulnerável; crianças negras são maioria das vítimas no Brasil

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