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Pesquisa aponta racismo e sexismo contra empreendedoras negras

Levantamento da Universidade Zumbi dos Palmares também identificou barreiras financeiras e lançou Câmara de Mediação Racial nas Relações de Consumo
Mulheres negras formam uma roda abraçadas no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), no centro do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 2023.

Mulheres negras formam uma roda abraçadas no Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), no centro do Rio de Janeiro, em 25 de julho de 2023.

— Tânia Rêgo/Agência Brasil

16 de maio de 2026

Uma pesquisa do Centro de Estudos e Pesquisas Raciais (CEP Racial), da Universidade Zumbi dos Palmares, revelou que mulheres negras empreendedoras enfrentam obstáculos estruturais nas relações de consumo, crédito e desenvolvimento econômico. O levantamento ouviu 90 empreendedoras negras da cidade de São Paulo entre os dias 5 e 10 de maio de 2026.

Os dados indicam que 80% das entrevistadas relatam experiências relacionadas ao etnocentrismo. O sexismo atinge 78,9% das mulheres negras empreendedoras. Barreiras financeiras em suas trajetórias profissionais afetam 74,4% do grupo.

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A pesquisa também identificou desafios ligados ao acesso ao crédito, inclusão digital, barreiras tecnológicas e desigualdades estruturais nas relações de mercado.

Os dados foram apresentados durante o lançamento oficial da Câmara de Mediação Racial nas Relações de Consumo, criada pela Universidade Zumbi dos Palmares dentro do Programa Racismo Zero. A proposta oferece um espaço técnico para a resolução de situações envolvendo discriminação racial em ambientes de consumo, atendimento e prestação de serviços.

A Câmara reúne práticas de mediação, justiça restaurativa e letramento racial. A iniciativa conta com apoio técnico da Faleck & Associados, referência nacional em métodos consensuais de resolução de disputas. 

Leia mais: Mulheres negras são 71% das nanoempreendedoras no Brasil, diz pesquisa

‘73% das vítimas não buscam seus direitos’, afirma reitor

O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, afirmou que o projeto surge como resposta à dificuldade histórica de vítimas de discriminação ao buscar reparação.

“73% das vítimas não buscam seus direitos porque a forma como são tratadas nesses espaços acaba se constituindo em uma nova agressão. Com este trabalho, temos a capacidade de convocar essas pessoas para compreender seus direitos e fazê-los valer”, disse em nota à imprensa.

Segundo ele, a proposta vai além da resolução formal dos casos. “A Câmara de Mediação Racial nas Relações de Consumo nasce para que as pessoas possam sentar à mesa, colocar a sua dor e fazer com que o outro possa ouvi-las. Mais do que uma sentença, buscamos a solução de uma questão”, declarou.

Natália Paiva, representante do MOVER (movimento formado por grandes empresas comprometidas com a promoção da equidade racial) lembrou que o racismo também produz impactos econômicos diretos para marcas e negócios.

“Uma pesquisa recente revelou que 91% dos consumidores negros de perfumes importados já vivenciaram situações de racismo. Metade deixou de comprar ou nunca mais voltou ao estabelecimento. Isso evidencia que, devido ao racismo, as empresas estão deixando de obter receita”, afirmou.

Câmara fecha ciclo de prevenção e reparação

O procurador-geral da Universidade Zumbi dos Palmares, Fernando Hirsh, destacou em material de divulgação do lançamento que a criação da Câmara acompanha uma transformação no ambiente corporativo e jurídico brasileiro diante da ampliação do debate sobre diversidade, reputação e responsabilidade empresarial.

Luiz Orsatti Filho, diretor executivo do Procon-SP, declarou que a Câmara preenche uma lacuna no enfrentamento da discriminação racial nas relações de consumo. 

“O Procon Racial atua na prevenção, trabalhando com educação e letramento nas empresas. A Câmara fecha esse ciclo: quando o fato ocorre, ele é trabalhado em ambiente especializado para que, além da reparação, esse fato não se repita”, explica em nota para a mídia.


Leia mais: Empreendedoras negras faturam até 59% menos que homens brancos

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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