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Morre Noca da Portela, ícone do samba carioca; velório será aberto ao público

Cantor e compositor da Portela morreu aos 93 anos e deixa legado histórico nos samba-enredos do Rio de Janeiro
Osvaldo Alves Pereira, conhecido como Noca da Portela, durante apresentação no festival de música “Lula Livre”, em 28 de julho de 2018.

Osvaldo Alves Pereira, conhecido como Noca da Portela, durante apresentação no festival de música “Lula Livre”, em 28 de julho de 2018.

— Mauro Pimentel/AFP

18 de maio de 2026

Morreu, no domingo (17), aos 93 anos, o cantor e compositor Noca da Portela, considerado um dos maiores autores de samba na cidade do carnaval carioca. Osvaldo Alves Pereira será velado na próxima terça-feira (19), na quadra da Portela, no Rio de Janeiro. Aberto ao público, o velório deve acontecer das 8h às 14h.

Instrumentista e compositor desde os 15 anos, o mineiro Noca da Portela iniciou sua trajetória na Ala de Compositores da extinta Escola de Samba Unidos do Catete ainda adolescente. Também atuou como intérprete no Trio Tropical, em 1958, e posteriormente participou da fundação da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti. 

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O ingresso na Portela, na década de 1960, veio por meio de um convite de Paulinho da Viola. Lá, ao lado de Picolino e Colombo, Noca integrou o Trio ABC e participou de clássicos como “Portela Querida”, interpretada por Elza Soares, e o samba-enredo de 1976, “O Homem de Pacoval”. 

Leia mais: Morre Ideval Anselmo, uma das maiores referências do Carnaval de SP, aos 85 anos

O sambista foi sete vezes campeão na disputa de samba-enredo da Majestade do Samba e se tornou um dos maiores vencedores da história da agremiação. Entre as canções premiadas estão “Recordar é Viver” (1985), “Gosto que me enrosco” (1995), “Olhos da noite” (1998) e “ImaginaRio, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015). 

Em nota de pesar, o G.R.E.S Portela se solidarizou com familiares e destacou a trajetória de um dos maiores nomes da Velha-Guarda portelense. 

“O G.R.E.S. Portela lamenta, com profundo pesar, o falecimento do cantor, compositor e instrumentista Noca da Portela, um dos grandes nomes da nossa história”. 

Presidente e parlamentares manifestam pesar 

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reconheceu a grandeza dos sambas-enredos assinados pelo artista, em publicação nas redes sociais celebrando a trajetória do sambista.

“Noca dizia em sua canção ‘Peregrino’ que o samba é uma eterna semente solta pelo ar, fecundando de felicidade por onde for. E estou certo de que as sementes que ele lançou em vida têm também esse destino: seguirão voando livres, encantando quem teve a alegria de conviver com esse grande artista brasileiro e todos que seguirão ouvindo os seus belos sambas”. 

Para a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), não é possível separar a carreira do compositor da história do próprio carnaval fluminense. Com agradecimentos, a parlamentar o classificou como uma das “maiores joias” do samba. 

Leia mais: Carnavalesco da Portela pede demissão e relata ataque nas redes sociais

“Falar de Noca é falar da própria essência do Carnaval, do sorriso largo e da poesia que cura. Ele não era apenas um compositor; era um arquiteto de emoções. Cada verso que ele rabiscou na história da nossa Majestade do Samba virou hino, virou lágrima de emoção, virou o grito de um povo que se reconhece na sua arte”. 

Também nas redes sociais, a ex-ministra da Igualdade Racial Anielle Franco prestou condolências a familiares, amigos e à comunidade portelense. 

“O samba perde hoje um de seus maiores mestres. Noca da Portela fez da poesia, da resistência e da cultura popular um legado eterno para o Rio de Janeiro e para o Brasil. […] Que a memória e a obra de Noca sigam ecoando em cada roda de samba e em cada coração apaixonado pela cultura popular”. 

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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