Uma pesquisa inédita realizada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) apontou que 77,6% das mulheres já vivenciaram alguma forma de violência ao longo da vida.
O levantamento faz parte do estudo Panorama da Violência contra a Mulher no DF, apresentado na última sexta-feira (12), e ouviu 5.093 pessoas em todas as regiões administrativas do Distrito Federal.
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Produzida pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher (SMDF) e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), a pesquisa também entrevistou 39 homens presos por feminicídio no Complexo da Papuda.
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Entre as mulheres que reconheceram ter sofrido violência, 15,4% afirmaram que ainda mantêm algum tipo de relação com o agressor.
O estudo identificou a dependência financeira como um dos principais fatores associados à permanência em relacionamentos marcados por agressões praticadas por parceiros íntimos.
Além dos episódios de violência, a pesquisa revelou dificuldades na identificação de práticas abusivas.
Quase metade dos entrevistados, 49,4%, não considera que impedir uma mulher de acessar o próprio dinheiro seja sempre uma forma de violência. Apenas 33,8% das mulheres e 19,7% dos homens reconheceram corretamente todas as situações de violência apresentadas no levantamento.
O levantamento também identificou a permanência de percepções associadas ao machismo. Entre os entrevistados, 35,4% concordaram com a afirmação de que “toda mulher é um pouco histérica”, enquanto 34,9% consideram que “mulher é o sexo frágil”. Outros 33,3% afirmaram concordar com a ideia de que existem mulheres “para casar” e mulheres “para cama”.
As entrevistas com homens condenados por feminicídio indicaram que os crimes estão relacionados a trajetórias marcadas por comportamentos de controle, sentimento de posse, dificuldade na resolução de conflitos e escalada da violência. Entre os padrões identificados estão monitoramento de celulares, ameaças, agressões físicas e uso de armas.
Segundo o governo local, os resultados servirão de base para o aprimoramento das políticas públicas voltadas à prevenção da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de proteção e ao desenvolvimento de estratégias de enfrentamento ao feminicídio no Distrito Federal.
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