PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Mais de 77% das mulheres do DF já sofreram algum tipo de violência, revela pesquisa

Levantamento ouviu mais de 5 mil pessoas e identificou alta incidência de agressões, além de investigar fatores associados ao feminicídio
Um cartaz escrito “Machismo Mata” em manifestação no Dia Internacional da Mulher, no Rio de Janeiro, em 8 de março de 2026.

Um cartaz escrito “Machismo Mata” em manifestação no Dia Internacional da Mulher, no Rio de Janeiro, em 8 de março de 2026.

— Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

16 de junho de 2026

Uma pesquisa inédita realizada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) apontou que 77,6% das mulheres já vivenciaram alguma forma de violência ao longo da vida. 

O levantamento faz parte do estudo Panorama da Violência contra a Mulher no DF, apresentado na última sexta-feira (12), e ouviu 5.093 pessoas em todas as regiões administrativas do Distrito Federal.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Produzida pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), em parceria com a Secretaria da Mulher (SMDF) e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), a pesquisa também entrevistou 39 homens presos por feminicídio no Complexo da Papuda. 

Leia mais: Violência de agentes públicos contra mulheres negras expõe padrão estrutural no Brasil

Entre as mulheres que reconheceram ter sofrido violência, 15,4% afirmaram que ainda mantêm algum tipo de relação com o agressor.

O estudo identificou a dependência financeira como um dos principais fatores associados à permanência em relacionamentos marcados por agressões praticadas por parceiros íntimos.

Além dos episódios de violência, a pesquisa revelou dificuldades na identificação de práticas abusivas. 

Quase metade dos entrevistados, 49,4%, não considera que impedir uma mulher de acessar o próprio dinheiro seja sempre uma forma de violência. Apenas 33,8% das mulheres e 19,7% dos homens reconheceram corretamente todas as situações de violência apresentadas no levantamento.

O levantamento também identificou a permanência de percepções associadas ao machismo. Entre os entrevistados, 35,4% concordaram com a afirmação de que “toda mulher é um pouco histérica”, enquanto 34,9% consideram que “mulher é o sexo frágil”. Outros 33,3% afirmaram concordar com a ideia de que existem mulheres “para casar” e mulheres “para cama”.

As entrevistas com homens condenados por feminicídio indicaram que os crimes estão relacionados a trajetórias marcadas por comportamentos de controle, sentimento de posse, dificuldade na resolução de conflitos e escalada da violência. Entre os padrões identificados estão monitoramento de celulares, ameaças, agressões físicas e uso de armas.

Segundo o governo local, os resultados servirão de base para o aprimoramento das políticas públicas voltadas à prevenção da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de proteção e ao desenvolvimento de estratégias de enfrentamento ao feminicídio no Distrito Federal.

Leia mais: Mulheres negras são alvo de violência digital indiscriminada, independente de cargo ou idade

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano