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África e Caribe firmam aliança por justiça reparatória em cúpula na Etiópia

Segunda Cúpula África-CARICOM defende reparações por escravidão e colonialismo e anuncia iniciativas conjuntas de comércio, saúde e inovação digital
Secretária-Geral da CARICOM, Dra. Carla Barnett, discursa na abertura da Segunda Cúpula África-CARICOM, em 7 de setembro de 2025, Adis Abeba, Etiópia.

Secretária-Geral da CARICOM, Dra. Carla Barnett, discursa na abertura da Segunda Cúpula África-CARICOM, em 7 de setembro de 2025, Adis Abeba, Etiópia.

— Reprodução/CARICOM

9 de setembro de 2025

Líderes africanos e caribenhos encerraram a segunda Cúpula África-CARICOM em Adis Abeba, Etiópia, com um chamado unificado por justiça reparatória para crimes históricos como a escravidão transatlântica e o colonialismo. 

O evento, realizado no último fim de semana, sob o tema “Parceria Transcontinental em Busca de Justiça Reparatória para Africanos e Afrodescendentes por meio de Reparações”, reforçou a cooperação estratégica entre as duas regiões.

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O encontro se concentrou em transformar os legados da escravidão e da colonização em oportunidades de solidariedade, cooperação política e desenvolvimento conjunto. Foram discutidos assuntos relativos ao comércio, investimentos, inovação, juventude, saúde e cultura, além de mecanismos de justiça reparatória.

O presidente de Angola e da União Africana (UA), João Manuel Gonçalves Lourenço, abriu a cúpula destacando a necessidade de implementar decisões práticas, reformar a arquitetura financeira global e ampliar o engajamento juvenil. Também manifestou solidariedade ao povo palestino.

A secretária-geral da Comunidade do Caribe (CARICOM), Carla Barnett, descreveu o encontro como um “retorno para casa”, ressaltando a herança comum e a importância de novas parcerias em saúde, comércio, transporte e investimentos. Ela citou iniciativas como o HeDPAC (Parceria de Desenvolvimento em Saúde para África e Caribe) e a cooperação com o Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank).

Líderes de países africanos e caribenhos destacam unidade transcontinental. Foto: CARICOM/Redes Sociais

Justiça reparatória e reformas globais

Representando a Organização das Nações Unidas (ONU), Parfait Onanga-Anyanga afirmou que África e Caribe são vítimas de injustiças históricas duplas: a escravidão e o colonialismo, e a exclusão dos processos que fundaram o atual sistema multilateral. Defendeu a reforma do Conselho de Segurança e das instituições de Bretton Woods, além da construção de um futuro baseado em soberania, paz e prosperidade compartilhada.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, destacou a iniciativa “Pontes de Unidade”, que conecta agricultura, inovação digital, cultura, liderança e saúde entre as duas regiões. Para ele, a parceria é duradoura e essencial diante de desafios globais.

Já o primeiro-ministro de São Cristóvão e Névis e próximo presidente da CARICOM, Terrance Drew, afirmou que reparações são uma exigência legítima para enfrentar desigualdades estruturais. Ele defendeu a criação de um mecanismo conjunto de coordenação entre UA e CARICOM e enfatizou que, juntos, África e Caribe representam um quinto da humanidade, devendo falar com uma só voz no cenário internacional.

Cooperação e futuro compartilhado

Entre os avanços destacados desde a primeira cúpula, em 2021, estão a abertura do escritório do Afreximbank no Caribe, a realização do Fórum Afro-Caribenho de Comércio e Investimentos e um memorando de entendimento entre a União Africana e a CARICOM.

As lideranças ressaltaram, segundo nota da UA, que a cooperação transcontinental é parte de uma agenda de dignidade, reconhecimento histórico e construção de oportunidades para futuras gerações, com foco em justiça reparatória, solidariedade e prosperidade comum.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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