A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) publicou, na última terça-feira (25), um relatório que denuncia uma nova onda de violência no leste da República Democrática do Congo (RDC). O documento destaca que moradores de comunidades na província de Ituri estão gravemente feridos após recentes ataques na região.
Segundo o relatório, o local foi alvo direto de conflitos armados resultantes da crescente crise no país, que envolve tropas militares congolesas e o grupo armado M23, supostamente apoiado por Ruanda.
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“Durante décadas, as pessoas em Ituri, no nordeste da RDC, foram alvos diretos dos ataques e tratadas apenas como um efeito colateral em um conflito complexo, caracterizado pela violência, divisões étnicas e a participação de vários grupos armados”, diz o MSF em nota.
De acordo com informações da Organização das Nações Unidas (ONU), desde o início de 2025, cerca de 100 mil pessoas foram forçadas a se deslocar. A violência se intensificou em janeiro e fevereiro deste ano, deixando mais de 200 mortos e dezenas de feridos.
A entidade destaca que o conflito prejudicou o acesso da população congolesa a cuidados de saúde, ajuda humanitária e meios de subsistência, incluindo comida. No último ano, a insegurança alimentar atingiu 43% da população da região.
“As pessoas em Ituri devem ter acesso seguro a cuidados de saúde e não devem ser forçadas a arriscar suas vidas em busca de alimentos e outras necessidades básicas”, ressalta a organização em trecho do relatório.
Após ataques no território de Djugu, província de Ituri, um grupo de milicianos munidos de facões e armas de fogo feriu gravemente mulheres grávidas e crianças de até quatro anos.
No acampamento de refugiados de Drodo, também em Djugu, cerca de 50% dos centros de saúde foram parcial ou totalmente destruídos.
Na cidade de Bunia, a maioria das vítimas de violências tratadas era de mulheres e crianças. O levantamento também destaca o aumento nos casos de agressões sexuais na região, que atingiram percentuais históricos em 2024.
“MSF apela a todos os grupos armados em Ituri para que poupem os civis e também as instalações de saúde, que são locais extremamente essenciais para a sobrevivência das comunidades locais”, conclui a organização.