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Acervo documental sobre Luiz Gama é certificado pela Unesco

Documentos históricos do advogado abolicionista passam a integrar programa latino-americano de preservação da memória coletiva da humanidade
Imagem mostra busto de Luiz Gama, em homenagem em uma praça pública.

Imagem mostra busto de Luiz Gama, em homenagem em uma praça pública.

— Reprodução

26 de junho de 2025

No último sábado (21), data em que se comemora os 195 anos do nascimento de Luiz Gama, a TV Justiça exibiu o documentário “Luiz Gama: a Luta pelo Direito no Brasil da Escravidão”. A produção contou com depoimentos de Bruno Rodrigues de Lima, idealizador e coordenador de pesquisa da Sociedade Luiz Gama (SLG), e de Abílio Ferreira, coordenador-geral da entidade.

Um mês antes, o acervo documental sobre a trajetória do advogado e abolicionista negro foi reconhecido pelo Comitê Regional para a América Latina e o Caribe do Programa Memória do Mundo (MoWLAC) da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e Cultura (Unesco).

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O conjunto documental contempla registros históricos, periódicos e livros produzidos entre 1830 e 1882, além de reunir descrições físicas e registros de cidadania de 124 pessoas negras escravizadas que tiveram a garantia da liberdade articulada por Gama.

A identificação do material reconhecido foi feita por Bruno Rodrigues de Lima, pesquisador do Instituto Max Planck (Alemanha) e autor das “Obras Completas de Luiz Gama”.

Equipe da Sociedade Luiz Gama (SLG) celebra certificação.
Equipe da Sociedade Luiz Gama (SLG) celebra certificação. Foto: Divulgação

Quem foi Luiz Gama?

Nascido em 1830, na cidade de Salvador, Luiz Gonzaga Pinto de Gama foi um abolicionista, jornalista, advogado e poeta que conseguiu articular a liberdade de mais de 500 pessoas escravizadas, mantidas ilegalmente nessas condições.

Gama é filho de Luiza Mahin, uma mulher negra africana da região da Costa da Mina que lutou pela liberdade dos escravizados na Bahia durante a Revolta dos Malês. Aos dez anos, Gama foi vendido como escravo pelo pai, um homem branco e herdeiro de uma família luso-brasileira.

Após oito anos em cativeiro, o poeta conseguiu juntar as provas necessárias para conquistar sua liberdade. Após se tornar advogado autodidata com 18 anos, passou a defender a liberdade de outras pessoas escravizadas.

Como jornalista, utilizou o espaço que possuía em jornais para defender a abolição do trabalho escravo. Luiz Gama também foi autor de importantes obras abolicionistas jurídicas, como “Defesa de uma liberdade”, em que destacou a contradição entre a escravidão e os direitos naturais e constitucionais.

Para o pesquisador Bruno Lima, ainda há um grande desconhecimento sobre a importância da atuação do abolicionista para o país. 

“Ele defendeu a República, a abolição, a educação, era um homem de partido, da Revolução Francesa, de ideais radicais, republicanos, que se dizia socialista”, declarou Lima em nota à imprensa. 

Em declaração durante a entrega da certificação do acervo de Luiz Gama ao Programa Memória do Mundo, o representante da Unesco, Adauto Cândido Soares, destacou a importância social do acervo

“A história mostra que o apagamento de uma personalidade histórica é fácil de ser feita. Quando Luiz Gama foi selecionado foi uma loucura, ele é muito importante. Recebemos muitos telefonemas, ligações da mídia e de diversas partes, todos querendo saber tudo sobre Luiz Gama. É uma personalidade ímpar”, afirmou.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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