No último sábado (21), data em que se comemora os 195 anos do nascimento de Luiz Gama, a TV Justiça exibiu o documentário “Luiz Gama: a Luta pelo Direito no Brasil da Escravidão”. A produção contou com depoimentos de Bruno Rodrigues de Lima, idealizador e coordenador de pesquisa da Sociedade Luiz Gama (SLG), e de Abílio Ferreira, coordenador-geral da entidade.
Um mês antes, o acervo documental sobre a trajetória do advogado e abolicionista negro foi reconhecido pelo Comitê Regional para a América Latina e o Caribe do Programa Memória do Mundo (MoWLAC) da Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e Cultura (Unesco).
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O conjunto documental contempla registros históricos, periódicos e livros produzidos entre 1830 e 1882, além de reunir descrições físicas e registros de cidadania de 124 pessoas negras escravizadas que tiveram a garantia da liberdade articulada por Gama.
A identificação do material reconhecido foi feita por Bruno Rodrigues de Lima, pesquisador do Instituto Max Planck (Alemanha) e autor das “Obras Completas de Luiz Gama”.

Quem foi Luiz Gama?
Nascido em 1830, na cidade de Salvador, Luiz Gonzaga Pinto de Gama foi um abolicionista, jornalista, advogado e poeta que conseguiu articular a liberdade de mais de 500 pessoas escravizadas, mantidas ilegalmente nessas condições.
Gama é filho de Luiza Mahin, uma mulher negra africana da região da Costa da Mina que lutou pela liberdade dos escravizados na Bahia durante a Revolta dos Malês. Aos dez anos, Gama foi vendido como escravo pelo pai, um homem branco e herdeiro de uma família luso-brasileira.
Após oito anos em cativeiro, o poeta conseguiu juntar as provas necessárias para conquistar sua liberdade. Após se tornar advogado autodidata com 18 anos, passou a defender a liberdade de outras pessoas escravizadas.
Como jornalista, utilizou o espaço que possuía em jornais para defender a abolição do trabalho escravo. Luiz Gama também foi autor de importantes obras abolicionistas jurídicas, como “Defesa de uma liberdade”, em que destacou a contradição entre a escravidão e os direitos naturais e constitucionais.
Para o pesquisador Bruno Lima, ainda há um grande desconhecimento sobre a importância da atuação do abolicionista para o país.
“Ele defendeu a República, a abolição, a educação, era um homem de partido, da Revolução Francesa, de ideais radicais, republicanos, que se dizia socialista”, declarou Lima em nota à imprensa.
Em declaração durante a entrega da certificação do acervo de Luiz Gama ao Programa Memória do Mundo, o representante da Unesco, Adauto Cândido Soares, destacou a importância social do acervo
“A história mostra que o apagamento de uma personalidade histórica é fácil de ser feita. Quando Luiz Gama foi selecionado foi uma loucura, ele é muito importante. Recebemos muitos telefonemas, ligações da mídia e de diversas partes, todos querendo saber tudo sobre Luiz Gama. É uma personalidade ímpar”, afirmou.