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Caixa e Arquivo Nacional vão digitalizar cadernetas de poupança de pessoas escravizadas

Ação é um desdobramento de uma investigação do papel da instituição financeira na gestão de recursos durante o período escravocrata
Caderneta de número 1.329, do “escravo da nação”, Augusto.

Caderneta de número 1.329, do “escravo da nação”, Augusto.

— Denise Reis/Acervo Caixa Cultural de São Paulo

14 de julho de 2026

A Caixa Econômica Federal e o Arquivo Nacional negociam um Acordo de Cooperação Técnica para digitalizar 158 cadernetas de poupanças de pessoas escravizadas durante o século XIX.

Os documentos constam em um levantamento realizado pela Caixa a pedido do Ministério Público Federal (MPF), que busca esclarecer o papel da instituição financeira na gestão de recursos e destino dos valores, principalmente no período de transição para o fim da escravidão.

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Os registros revelam nomes, endereços, profissões e movimentações financeiras de pessoas escravizadas que conseguiram juntar dinheiro antes da abolição a fim de comprar a própria alforria ou de familiares.

Segundo o MPF, existem aproximadamente 14 mil documentos da época que ainda não foram tratados.

A diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima, afirmou que as negociações vêm avançando e que será realizada uma nova inspeção técnica para avaliar o estado de conservação dos livros contábeis.

Dessa maneira, espera-se que o acordo com a Caixa permita preservar digitalmente as cadernetas e ampliar o acesso de pesquisadores e da sociedade aos documentos históricos.

Leia mais: Escala 6×1 e senzala: discursos políticos conectam dois séculos de exploração

Registros dos depósitos realizados pelo “escravo da nação”, Augusto, ao longo de 1866. (Créditos: Denise Reis/Acervo Caixa Cultural de São Paulo)

Embora pessoas escravizadas fossem tratadas como proriedades no período colonial no Brasil, o estado reconhecia sua capacidade de acumular recursos financeiros e manter depósitos em instituições financeiras.

Uma dissertação de mestrado defendida pela advogada, mestra e doutoranda Denise Rodrigues na Faculdade de Direito da USP em 2025 analisou como pessoas escravizadas acmulavam pecúlio como forma de adquirir suas alforrias.

A prática foi formalizada em 1871, com a promulgação da Lei do Ventre Livre que, além de declarar livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir da data, reconheceu o direito de pessoas escravizadas guardarem dirnheiro para comprar a liberdade.

Nesse sentido, a Caixa Ecônomica Federal, fundada dez anos antes da lei, ganhou ainda mais relevância. Segundo o estudo, a instituição já aceitava depósitos feitos por pessoas escravizadas mesmo sem previsão legal, mas a partir de então haviam os registros das movimentações nas cadernetas.

Com informações do G1 e do Jornal da USP.

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