Na região metropolitana do Rio de Janeiro, um terço dos casos de violência política tem motivação de ódio, como racismo, misoginia, homofobia e transfobia. Os dados são do levantamento divulgado pelo Observatório das Favelas na terça-feira (14).
O estudo, realizado em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), também coletou dados da Baixada Fluminense e da Baía da Ilha Grande, no litoral sul. Segundo os pesquisadores, as áreas possuem histórico de violência política e atividades de milícias.
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A pesquisa indica que, de janeiro de 2022 a junho de 2025, a Grande Rio teve 267 registros de violência política, dos quais 89 tinham motivação de ódio. No período observado, o número de ataques contra pessoas negras cresceu cerca de 76%, passando de 17 para 30 ocorrências.
Entre os principais tipos de violência estão a agressão verbal (15%), repressão policial a manifestação política (13%), atentado contra a vida (12%), execução (12%) e ameaça (10%). Outras formas de agressão representaram 16% dos casos.
O estudo destaca a agressão verbal como a categoria de violência mais recorrente, totalizando 32 ocorrências. O índice é cerca de 59% superior aos casos de ameaça de morte (13), segunda na listagem.
Segundo o levantamento, policiais foram autores de violência política em 58 episódios, seja em serviço ou prestando serviços ilegais. As agressões incluem repressão policial a manifestações políticas (35), ao ataque a manifestações (5) e à prisão arbitrária em protestos (4). Policiais em serviço foram responsáveis por 75% das ocorrências e por violências com motivação de ódio em nove delas.
Durante as eleições de 2024, entre junho e outubro, 24 dos 71 casos de violência política ocorreram contra mulheres cis, trans e travestis. Oito desses casos foram cometidos por políticos.