PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Comunidades pesqueiras tradicionais passam a integrar o Programa Nacional de Reforma Agrária

Pescadores artesanais de Santa Catarina, Pará e Ceará passam a ter territórios reconhecidos como Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs), com segurança jurídica
A imagem mostra três barcos de uma comunidade pesqueira.

A imagem mostra três barcos de uma comunidade pesqueira.

— Reprodução/Incra

5 de janeiro de 2026

As comunidades pesqueiras tradicionais passaram a integrar oficialmente o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Os primeiros Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAEs) destinados a pescadores foram criados por portarias publicadas no Diário Oficial da União nos últimos dias de 2025. Os territórios estão localizados nos estados de Santa Catarina, Pará e Ceará.

A inclusão é resultado de um diálogo interinstitucional que envolveu o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), o Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Secretaria de Patrimônio da União (SPU). 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Gustavo Noronha, diretor de Gestão Estratégica do Incra, afirmou em nota que atender esses povos é uma “prioridade do Governo do Brasil e do Incra” para levar “cidadania às populações que mais precisam”.

Reconhecimento oferece segurança jurídica contra conflitos fundiários

Os PAEs são projetos ambientalmente diferenciados, destinados à exploração sustentável de áreas com riquezas extrativistas. A criação seguiu um novo rito simplificado, definido pela Portaria 1.498/2025, que dispensa o georreferenciamento preciso em uma fase inicial e prioriza um levantamento social básico das famílias.

Marcelo Gosh, coordenador-geral de Criação de Assentamentos do Incra, destacou o impacto da medida. “Com a criação desses territórios agroextrativistas, os pescadores terão segurança jurídica para que eles possam continuar a exercer a atividade de pesca artesanal”, afirmou. 

Ele ressaltou que essas áreas de marinha “muitas vezes estão em disputa com outros empreendimentos”.

Territórios incluídos no Programa Nacional de Reforma Agrária

As primeiras áreas destinadas a comunidades pesqueiras tradicionais somam territórios em três estados:

PAE Território Pesqueiro Ponta do Leal

Município: Florianópolis (SC)

Área: 1,96 hectares

Capacidade prevista: 50 unidades familiares

Portaria nº 1.548, de 30/12/2025

PAE Território Pesqueiro Praia do Rincão

Município: Balneário Rincão (SC)

Área: 111,12 hectares

Capacidade prevista: 1.000 unidades familiares

Portaria nº 1.549, de 30/12/2025

PAE Território Pesqueiro Praia Central de Balneário Camboriú

Município: Balneário Camboriú (SC)

Área: 31,02 hectares

Capacidade prevista: 100 unidades familiares

Portaria nº 1.550, de 30/12/2025

PAE Pesqueiro – Território Balbino

Município: Cascavel (CE)

Área: 255,92 hectares

Capacidade prevista: 600 unidades familiares

Portaria nº 1.552, de 30/12/2025

PAE Pesqueiro – Território Francês

Municípios: Anajás e Ponta de Pedras (PA)

Área: 8.232,61 hectares

Capacidade prevista: 180 unidades familiares

Portaria nº 1.554, de 30/12/2025

PAE Pesqueiro – Território Joviniano Pantoja

Municípios: Santa Cruz do Arari, Ponta de Pedras e Anajás (PA)

Área: 5.471,80 hectares

Capacidade prevista: 400 unidades familiaresPortaria nº 1.555, de 30/12/2025

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano