Um estudo da Oxfam Brasil, divulgado no último domingo (18), indica que, na América Latina e no Caribe, as regiões com desigualdades econômicas mais acentuadas apresentam sete vezes mais riscos de retrocessos democráticos.
O relatório “Resistindo ao Domínio dos Ricos: Defendendo a Liberdade Contra o Poder dos Bilionários” analisa a concentração da extrema riqueza nos países latinos e como ela põe em risco direitos humanos, liberdades civis e a garantia do Estado de direito.
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O documento aponta que, segundo o estudo “O poder corporativo e o declínio da democracia”, do mestre e pesquisador estadunidense em economia Seda Basihos, estima-se que, entre 1990 e 2019, mais de um quarto do retrocesso democrático mundial pode ser explicado pelo aumento do poder corporativo.
Na América Latina, a maior parte da riqueza dos bilionários se concentra nos setores de finanças (27,45%), telecomunicações e mídia (20,63%), e energia e recursos naturais (17,45%). Juntos, eles representam 65% de sua riqueza combinada em 2025.
Considerando o intervalo de 2000 a 2025, o estudo destaca que ao menos 16 presidentes em 11 países da região chegaram ao governo com histórico como proprietários, acionistas ou altos executivos de empresas, como bancos, grupos de mídia e conglomerados agroindustriais.
O levantamento também indica que a presença das elites econômicas nas esferas de governança é ampliada nos mandatos presidenciais com forte vínculo empresarial. Para os bilionários, a chance de ocupar cargos políticos é quatro mil vezes maior do que a de um cidadão comum.
A entidade destaca que o fenômeno é perigoso, pois permite que a iniciativa privada influencie regulamentações, molde a opinião pública e altere os rumos de disputas eleitorais, podendo até bloquear concorrentes.
“A concentração econômica não apenas agrava a desigualdade nos mercados, mas também se traduz em uma captura progressiva das instituições, enfraquece a representação e limita a capacidade do Estado de governar em favor das maiorias”, diz trecho do relatório.