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Corrida de rua reflete sobre a liberdade de corpos negros e a defesa do direito à cidade

Iniciativa será realizada no domingo (7) no Rio de Janeiro, com um trajeto de 4km, do Leblon à Copacabana
O coletivo Corre dos Crias, com seus integrantes correndo pelas ruas da capital fluminense.

O coletivo Corre dos Crias, com seus integrantes correndo pelas ruas da capital fluminense.

— Reprodução/Redes Sociais

6 de dezembro de 2025

O coletivo Corre dos Cria, em parceria com o Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), realiza no domingo (7) a corrida de rua “Pela liberdade dos corpos negros”, no Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A concentração está marcada para as 7h, no Posto 12, e o percurso segue até o Posto 6, em Copacabana, em um trajeto de cerca de 4 km.

A iniciativa gratuita busca reforçar a luta contra o racismo e a defesa dos direitos humanos, surgindo como um desdobramento do relatório “Engrenagem Seletiva”, produzido pelo CESeC.

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A pesquisa revela que o Sistema de Justiça Criminal do Rio de Janeiro direciona sua atuação de forma desigual. A maioria das pessoas abordadas por porte de drogas para consumo nas áreas mais ricas da cidade é negra e de territórios pobres. 

De acordo com o estudo, foram analisados 3.392 casos enquadrados nos artigos da Lei de Drogas, sendo 911 por porte para uso pessoal, 2.169 por tráfico e 1.212 por associação para o tráfico, muitas vezes somados em um mesmo processo.  

Segundo o levantamento, 69% dos acusados e 77% dos condenados são negros, evidenciando a presença desigual dessa população no Sistema de Justiça.

Para Giovanna Monteiro-Macedo, coordenadora da pesquisa do CESeC, o estudo mostra como o Sistema de Justiça Criminal organiza e perpetua o racismo estrutural. “Nós pensamos na corrida como uma forma simbólica e coletiva de ocupar as ruas da cidade a partir de alguns dados que encontramos na nossa pesquisa que nos mostram como a abordagem policial no Rio segue marcada por um racismo profundo. Nas áreas mais ricas da cidade, onde predominam as prisões por porte para consumo, a maioria das pessoas abordadas e presas são negras e pobres. E quase metade das abordagens são categorizadas como ‘comportamento suspeito’”, afirma em entrevista à Alma Preta.

A corrida também propõe uma reflexão sobre quem tem liberdade para circular pela cidade, reforçando o propósito presente na pesquisa, ocupando as ruas como forma de afirmação e resistência da população negra e periférica.

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  • Thayná Santana

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