O Disque Direitos Humanos (Disque 100), plataforma do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As informações foram divulgadas pela pasta na quarta-feira (21).
O número é cerca de 12,2% acima do analisado em 2024. Somente nos primeiros dias deste ano, foram 51 violações de direitos humanos do gênero. Para o órgão, a tendência de crescimento reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção, proteção e promoção da liberdade religiosa.
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De acordo com dados do Ministério, os cultos de matriz africana se destacaram por concentrar o maior volume de denúncias entre as religiões no período analisado.
Foram 228 registros para a umbanda, 161 para o candomblé e 40 de outras religiosidades afro-brasileiras. Também houve a classificação “umbanda e candomblé”, que somou 47 casos. Ao todo, as religiões de matriz africana representaram aproximadamente 17,15% de todos os casos.
Em seguida, aparecem denúncias de pessoas evangélicas (72), católica apostólica romana (37), espíritas (30) e vítimas que declararam não saber informar a religião. Também houve ocorrências envolvendo outras tradições religiosas, pessoas agnósticas, ateias ou sem religião, além de judaísmo, islamismo e outras denominações cristãs.
Segundo o MDHC, as denúncias foram distribuídas de forma constante ao longo do ano, com picos nos meses de abril (278), setembro (272) e outubro (256). Os estados com maior número de denúncias são: São Paulo (667), Rio de Janeiro (446), Minas Gerais (323) e Bahia (211). Também há registros em todas as regiões do país.
“Os registros revelam que a intolerância religiosa no Brasil se manifesta de forma seletiva e estrutural como racismo religioso, tendo em vista a maior incidência de ataques a terreiros e a criminalização de práticas e símbolos religiosos afro-brasileiros”, diz a pasta em nota à imprensa.