O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, na quinta-feira (11), dez policiais militares do Batalhão de Ações com Cães (BAC) por obstrução das câmeras corporais e invasões ilegais a residências durante a Operação Contenção, deflagrada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. Com 122 mortes, a ação se tornou a maior chacina policial da história do país.
Segundo o órgão, uma das denúncias indica que cinco policiais militares desrespeitaram ordem superior ao manipular as câmeras, para impedir ou prejudicar a captação de imagens durante a ação. A análise das gravações demonstrou que, diversas vezes, os equipamentos foram posicionados de maneira inadequada e direcionados para locais que bloqueavam a visualização.
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Outros cinco foram denunciados pela invasão de residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial ou consentimento dos moradores. O documento aponta que os agentes utilizaram ferramentas como chaves micha, facões e chaves de fenda para forçar a entrada nos imóveis.
Registros analisados pelo MPRJ mostram os policiais circulando pelos cômodos das casas, vasculhando objetos e consumindo produtos das geladeiras. Essa não é a primeira vez que o Ministério Público denuncia PMs por crimes cometidos na operação. Entre os casos relatados estão a apropriação de um fuzil encontrado em uma residência no complexo do Alemão e o furto de peças de um veículo.
Com as novas acusações, o Ministério Público já soma um total de oito denúncias contra 19 policiais por condutas irregulares.
Operação Contenção
A ação resultou em ao menos 122 mortes, entre elas, quatro policiais, e diversas denúncias de violações de direitos humanos e execuções sumárias. Entre os relatos de testemunhas, acumulam-se relatos de execuções, roubos e impedimentos ao reconhecimento dos corpos das vítimas. O caso gerou grande repercussão e motivou a intervenção de órgãos como o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Organização das Nações Unidas (ONU).
De acordo com o recente relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), publicado na última sexta-feira (6), apenas 183 dos 2,5 mil policiais destacados utilizaram câmeras corporais.