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Em clima de luto e revolta, protesto no Rio pede justiça por morte de Herus Mendes em ação do Bope

Protesto reuniu centenas de pessoas e ocupou uma das principais vias do Catete, bairro da Zona Sul do Rio de Janeiro
Manifestante durante protesto contra a morte de Herus Mendes, 8 de junho de 2025, Rio de Janeiro

Manifestante durante protesto contra a morte de Herus Mendes, 8 de junho de 2025, Rio de Janeiro

— Solon Neto/Alma Preta

8 de junho de 2025

A chuva molhou ainda mais o rosto cheio de lágrimas de Monica Guimarães Mendes enquanto ela falava em um protesto que reuniu centenas de pessoas pedindo justiça por seu filho, o office-boy Herus Guimarães Mendes. O homem de 24 anos foi morto durante ação do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, na sexta-feira (6) durante uma festa junina no Morro do Santo Amaro, no Rio de Janeiro.

Em sua fala durante a concentração do protesto, ela relembrou com tristeza o momento em que viu seu filho baleado e afirmou que a polícia não permitiu que Herus recebesse o devido socorro no local. A versão foi reforçada por outras pessoas que estavam presentes no momento em que Herus foi baleado. À Alma Preta, Rodrigo Ribeiro, de 39 anos, confirmou o que disse Monica e contou o que testemunhou no local.

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“[Os policiais] chegaram atirando a esmo, executaram, a cinco metros de mim”, disse Ribeiro, um dos integrantes do grupo que se apresentava na festa junina. Ele afirma que não houve troca de tiros e que havia muitas crianças no local no momento da ação policial: “Tinha no mínimo 100 crianças”, conta, ressaltando que boa parte delas tinha de cinco a dez anos e se apresentariam na festa.

Protesto ocupa principal rua do bairro

O clima do protesto era de revolta e luto. A maioria das pessoas presentes eram negras e uma boa parte da multidão era de pessoas jovens. O choro foi uma constante durante o trajeto. O protesto foi acompanhado por dezenas de motocicletas que buzinavam e faziam cortes de giro para protestar. Além disso, durante todo o ato foram usados fogos de artifício.

Ao longo da manifestação, diversas palavras de ordem foram usadas. Entre as mais repetidas estavam “favelado não é bandido”, “Herus, presente”, “justiça!”, “quero o fim da polícia militar” e músicas de funk como “Eu só quero é ser feliz”, uma canção da dupla Cidinho e Doca conhecida nacionalmente.

  • Manifestação pede justiça por Herus Guimarães Mendes, morto em ação policial do Bope no Morro do Santo Amaro, 8 de junho de 2025, Rio de Janeiro
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A concentração da manifestação ocorreu na altura do número 90, na rua Pedro Américo, no Catete, mesmo bairro carioca onde fica o Santo Amaro, e foi marcada para as 14h. Às 16h, o ato deu a volta no quarteirão e tomou umas das mãos da rua do Catete, a principal do bairro da Zona Sul.

Os manifestantes caminharam até o bairro da Glória e subiram pela rua Benjamin Constant em direção ao Morro do Santo Amaro. O ato foi encerrado no mesmo local que recebeu a festa junina na qual Herus foi morto. No encerramento, os manifestantes realizaram um minuto de silêncio, cortado por uma longa sessão de palmas.

Críticas a Cláudio Castro e STF

Entre as falas antes do início da caminhada do protesto, a maior parte foi de familiares de vítimas do Estado. Foi o caso de Ana Paula Oliveira, líder das Mães de Manguinhos, Jackeline Oliveira, e da ex-vereadora Monica Cunha (PSOL). As três tiveram seus filhos, respectivamente Johnatha de Oliveira, Kathlen Romeu e Rafael da Silva, mortos por policiais.

Um dos principais nomes citados no protesto foi o do governador Cláudio Castro (PL), responsável pela polícia militar. Da mesma forma, os manifestantes também criticaram o Supremo Tribunal Federal (STF), que reverteu em abril diversas restrições impostas sobre operações em favelas no julgamento do caso da ADPF 635.

“Costumo dizer que não só o policial que puxa o gatilho precisa ser responsabilizado. O prefeito, o governador, o presidente, todos eles têm as mãos sujas com o sangue dos nossos filhos”, disse Ana Paula durante sua fala.

Entre os presentes na manifestação também estavam o ex-vereador Tarcísio Motta (PSOL), o pesquisador e babalaô Ivanir dos Santos, e o cantor Filipe Ret.

Tiros durante protesto

Ainda durante a concentração, um homem não identificado que passava pela rua em um carro Peugeot 306, cor prata, deu dois tiros para o alto após se envolver em uma discussão com manifestantes e tentou avançar sobre a multidão. Ele estava acompanhado de uma mulher com um bebê de colo e fugiu com o carro em alta velocidade. A polícia, que acompanhava o protesto, não perseguiu o carro. A reportagem não obteve mais informações.

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  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

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