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Em São Paulo, um em cada quatro negros perdeu o emprego na pandemia

Entre os negros que conseguiram manter o emprego durante a pandemia, a manutenção de uma renda regular foi um desafio

Texto: Juca Guimarães | Edição: Nataly Simões | Imagem: Roberto Parizotti/FotosPublicas

Fila com pessoas em busca de emprego. Há uma placa escrito "Mutirão do Emprego"

2 de junho de 2021

Uma em cada quatro pessoas negras com emprego formal em 2019 foi demitida até o final de 2020, segundo dados de um estudo sobre os efeitos do primeiro ano de pandemia da Covid-19 na vida da população negra que vive na região metropolitana de São Paulo, o estado mais rico e industrializado do país.

O levantamento foi feito pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), que também aponta o índice de 24% de desemprego entre os negros, em um ano. Além disso, um em cada cinco negros desempregados não conseguiu procurar emprego por questões ligadas à saúde.

De acordo com o estudo, a população negra ficou mais exposta a Covid-19, uma vez que apenas 17% desse contingente populacional conseguiu trabalhar de forma remota (em casa), enquanto a parcela de trabalhadores não negros em home office foi de 34%, mais que o dobro.

“Essa menor possibilidade de manter o isolamento por meio do trabalho remoto se deve ao fato de, entre os negros, ser maior a parcela em ocupações não protegidas e em atividades consideradas essenciais durante a pandemia, como transporte e serviços de limpeza”, explicam os analistas do Seade, que conduziram o levantamento.

Leia também: Covid-19: por que o Brasil pode ter uma terceira onda da pandemia e ainda pior

Entre os negros que conseguiram manter o emprego durante a pandemia, a manutenção de uma renda regular foi um desafio; 34% passaram a ter uma renda de trabalho menor e 7% ficaram sem rendimento por algum período, mesmo continuando empregado.

Para os trabalhadores não negros, o corte total de renda por algum período atingiu 4% dos empregados da região metropolitana, ou seja o percentual de negros empregados que ficaram sem salário na pandemia foi o dobro do que o de não negros.

O estudo do Seade também fez uma comparação entre os beneficiários de programas emergenciais de renda durante o primeiro ano de pandemia na região metropolitana de São Paulo. Os dados apontam que 33% dos negros receberam o auxilio emergencial do governo federal. Entre os não negros, o resultado foi de 27%.

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