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Entidades alertam para erros nos sistemas de reconhecimento facial e prisões injustas

Estudo da Coalizão Direitos na Rede aponta falhas, viés racial e ausência de regulação no uso estatal do reconhecimento facial
Central de monitoramento por câmeras do programa Smart Sampa na rua XV de novembro, em São Paulo.

Central de monitoramento por câmeras do programa Smart Sampa na rua XV de novembro, em São Paulo.

— Reprodução/Rovena Rosa/Agência Brasil

9 de dezembro de 2025

Um levantamento lançado pela Coalizão Direitos na Rede, grupo de organizações da sociedade civil de defesa dos direitos digitais, na segunda-feira (8), aponta um cenário de insegurança com o uso de tecnologias de reconhecimento facial pelo Estado.

Em nota, a entidade informa que o estudo foi realizado no contexto da discussão sobre o Projeto de Lei (PL) 2238/2023, que dispõe sobre normas para o uso de sistemas de inteligência artificial no Brasil. 

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O texto, sob relatoria do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), autoriza o uso do sistema de identificação biométrica à distância, em tempo real e em espaços públicos, em casos de instrução de inquérito mediante a autorização policial, busca de vítimas e pessoas desaparecidas ou graves ameaças à vida e à integridade de terceiros.

O PL também prevê o uso da tecnologia para flagrantes de delitos punidos com pena superior a dois anos de reclusão, captura de réus fugitivos, cumprimento de mandados de prisão e medidas restritivas ordenadas pelo Poder Judiciário.

Junto à campanha Tire Meu Rosto da Sua Mira, a Coalizão solicita que o Congresso reconsidere a proposta e crie mecanismos de regulação do uso das tecnologias de reconhecimento facial em áreas de uso público. 

A pesquisa destaca que, desde 2014, o reconhecimento facial é usado na segurança pública sem nenhum tipo de marco regulatório, o que também põe em risco a integridade orçamentária e a gestão pública, uma vez que diversos contratos com as empresas fornecedoras são firmados sob dispensa de licitação.

De acordo com o levantamento, o projeto Smart Sampa, utilizado no estado de São Paulo, custou aproximadamente R$ 10 milhões por mês para o consórcio contratado. Na Bahia, ao menos R$ 600 milhões já foram gastos desde que o sistema começou a ser implementado em 2019.

O mecanismo, segundo a coalizão, é responsável por diversos casos de prisões injustas, realizadas após falhas no reconhecimento, que acometem majoritariamente pessoas negras. A pesquisa cita casos em que pessoas negras foram abordadas ou detidas erroneamente pelo sistema. 

“A sociedade civil organizada vem denunciando há anos os problemas do reconhecimento facial e a forma fundamentalmente enviesada e racista pela qual opera, submetendo a população ao risco de ter seu direito de ir e vir cerceado. Os erros são sistemáticos e têm um alvo preferencial: pessoas negras”, diz trecho do comunicado.

As entidades defendem que as tecnologias biométricas afrontam o princípio da igualdade previsto na Constituição e ignoram as evidências concretas que apresentam as taxas de erro desproporcionalmente contra grupos demográficos específicos, como pessoas negras e mulheres.

“A imprecisão tecnológica aprofunda vieses estruturais, resultando em falsos positivos seletivos e policiamento discriminatório, ferindo o objetivo fundamental da República de promover o bem de todos, sem preconceitos (Art.3º. IV da CF/88)”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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