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Forte chuva causa estragos em terreiro tombado no Pará e ameaça patrimônio centenário

Entre os itens afetados, estão quadros e imagens de gesso que representam orixás, santos e caboclos cultuados nas religiões de matriz africana
Imagem mostra estragos de chuva em elementos sagrados da fé afrorreligiosa.

Foto: Reprodução

10 de janeiro de 2024

Uma forte chuva causou estragos no Terreiro de Mina Dois Irmãos, o mais antigo do Pará, localizado no bairro do Guamá, em Belém. A tempesdade que atingiu a capital paraense no sábado (6) invadiu o templo e ameaçou o patrimônio centenário do local. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 116.9 milímetros de chuva torrencial em cerca de 10 horas.

A chuva entrou pelo telhado e inundou as paredes e o chão do terreiro. Entre os itens afetados, estão quadros e imagens de gesso que representam orixás, santos e caboclos cultuados nas religiões de matriz africana. Assentamentos dedicados ao orixá Exu precisaram ser movidos de lugar para não serem danificados pelo temporal.

Em vídeos enviados à reportagem durante o temporal, a zeladora de santo da casa, mãe Eloísa de Badé, descreveu: “Está tudo encharcado de água, a cozinha, o salão… Está chovendo dentro do ponto de Iemanjá. Também tive que mover meu pai Xangô e os tambores por causa da água, a casa de Exu cheia de goteiras. Está um caos, estou agoniada”.

O Terreiro de Mina Dois Irmãos tem 133 anos de história. Está aberto no mesmo local onde foi fundado no dia 23 de agosto de 1890. Em 2010, o templo foi tombado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult) como território simbólico, de valor histórico e cultural para o Pará.

Em novembro de 2023, porém, a Alma Preta Jornalismo denunciou que, 13 anos após o tombamento, o templo não recebeu nenhum tipo de manutenção do estado. Conforme constatado já à época, o espaço acumulava problemas estruturais e infiltrações. A consequência mais trágica até o momento do descaso do poder público foi a ocorrida na semana passada.

“Se eu tivesse condições, não estava esperando por ninguém”, disse mãe Eloísa de Badé, sobre as constantes solicitações de reforma e manutenção feitas ao Departamento de Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do Estado do Pará (Dphac), da Secult.

A Alma Preta voltou a cobrar esclarecimentos do estado sobre o descaso enfrentado pelo Terreiro de Mina Dois Irmãos. Até a publicação deste texto não houve resposta. Caso haja retorno, a reportagem será atualizada.

  • Fernando Assunção

    Atua como repórter no Alma Preta Jornalismo e escreve sobre meio ambiente, cultura, violações a direitos humanos e comunidades tradicionais. Já atua em redações jornalísticas há mais de três anos e integrou a comunicação de festivais como Psica, Exú e Afromap.

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