Os bilionários dos países do G20 obtiveram um ganho de US$ 2,2 trilhões (R$ 11,7 trilhões) no último ano, valor que supera o custo necessário para tirar toda a população pobre do mundo da linha de pobreza. A informação é de um relatório da organização Oxfam, divulgado nesta quinta-feira (20). O custo para elevar os 3,8 bilhões de pessoas que vivem na pobreza é de US$ 1,65 trilhão (R$ 8,8 trilhões).
A entidade alerta para a emergência da desigualdade e pressiona os líderes do G20, que se reúnem neste fim de semana em Joanesburgo, na África do Sul, a adotar medidas contra a concentração de riqueza e a crise da dívida que afeta nações em desenvolvimento.
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A África do Sul, que preside o grupo, encomendou o primeiro estudo oficial do G20 sobre desigualdade, liderado pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz. O documento classifica a concentração de renda como uma “emergência” e revela que, desde 2000, o 1% mais rico capturou 41% de toda riqueza gerada na economia global, enquanto a metade mais pobre da população recebeu apenas 1%. Para a Oxfam, esse padrão alimenta crises sociais e políticas.
O comitê de Stiglitz recomenda a criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade, com função similar à do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para o clima.
África do Sul pressiona G20 por respostas e quer painel global permanente
O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, demonstrou apoio às recomendações do comitê, incluindo a criação do Painel Internacional sobre Desigualdade. A proposta busca incorporar rigor científico e compromissos multilaterais permanentes no enfrentamento da desigualdade econômica.
A presidência sul-africana tenta garantir adesão dos demais integrantes do G20, defendendo que o grupo aprove medidas concretas contra a desigualdade, incluindo tributação progressiva de grandes fortunas, reforma fiscal internacional e ações urgentes para o enfrentamento da crise da dívida.
A CEO da Oxfam GB, Halima Begum, declarou que a desigualdade resulta de escolhas políticas recentes. Segundo ela, políticas fiscais restritivas, ausência de tributação sobre grandes fortunas e redução de investimentos sociais ampliam pobreza, fome e instabilidade.
A organização cita pesquisas que identificam relação direta entre desigualdade e aumento de apoio a discursos populistas e antissistema, impulsionados pela percepção de abandono das camadas mais pobres.
Tributação dos ultrarricos reaparece como proposta central
A Oxfam classificou como um “segredo aberto” o volume de riqueza acumulado pelos bilionários ligados às economias do G20. Apenas 8% da arrecadação tributária dos países do grupo provém de impostos sobre riqueza.
A organização defende que a fortuna de US$ 15,6 trilhões (R$ 83,2 trilhões) dos bilionários do G20 seja “tributada de forma justa” para combater a pobreza e a crise climática. Atualmente, apenas oito centavos de cada dólar de arrecadação fiscal no G20 vêm de impostos sobre a riqueza.
Por meio do relatório, a entidade pediu para que o G20 retome os compromissos firmados no encontro anterior, no Brasil, para desenvolver uma agenda de taxação efetiva de super-ricos. A entidade criticou ainda a postura dos Estados Unidos, que se afastaram de iniciativas de cooperação tributária e pressionam por isenções a grandes corporações internacionais, como no acordo global sobre tributação mínima de empresas.
Segundo a Oxfam, medidas fiscais coordenadas são essenciais para frear a desigualdade, financiar serviços públicos e enfrentar os impactos da crise climática e social.