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Fortuna de bilionários do G20 em 1 ano supera custo para acabar com pobreza global, diz estudo

Organização afirma que ganhos anuais de magnatas dos países que compõem o grupo cobrem o valor necessário para retirar 3,8 bilhões de pessoas da pobreza
Faixas com retratos dos líderes mundiais dos países do G20 são exibidas nos pilares de um viaduto em Joanesburgo, em 20 de novembro de 2025, antes da Cúpula de Líderes do G20.

Faixas com retratos dos líderes mundiais dos países do G20 são exibidas nos pilares de um viaduto em Joanesburgo, em 20 de novembro de 2025, antes da Cúpula de Líderes do G20.

— Gianluigi Guercia/AFP

22 de novembro de 2025

Os bilionários dos países do G20 obtiveram um ganho de US$ 2,2 trilhões (R$ 11,7 trilhões) no último ano, valor que supera o custo necessário para tirar toda a população pobre do mundo da linha de pobreza. A informação é de um relatório da organização Oxfam, divulgado nesta quinta-feira (20). O custo para elevar os 3,8 bilhões de pessoas que vivem na pobreza é de US$ 1,65 trilhão (R$ 8,8 trilhões).

A entidade alerta para a emergência da desigualdade e pressiona os líderes do G20, que se reúnem neste fim de semana em Joanesburgo, na África do Sul, a adotar medidas contra a concentração de riqueza e a crise da dívida que afeta nações em desenvolvimento.

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A África do Sul, que preside o grupo, encomendou o primeiro estudo oficial do G20 sobre desigualdade, liderado pelo Nobel de Economia Joseph Stiglitz. O documento classifica a concentração de renda como uma “emergência” e revela que, desde 2000, o 1% mais rico capturou 41% de toda riqueza gerada na economia global, enquanto a metade mais pobre da população recebeu apenas 1%. Para a Oxfam, esse padrão alimenta crises sociais e políticas.

O comitê de Stiglitz recomenda a criação de um Painel Internacional sobre Desigualdade, com função similar à do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para o clima.

África do Sul pressiona G20 por respostas e quer painel global permanente

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, demonstrou apoio às recomendações do comitê, incluindo a criação do Painel Internacional sobre Desigualdade. A proposta busca incorporar rigor científico e compromissos multilaterais permanentes no enfrentamento da desigualdade econômica.

A presidência sul-africana tenta garantir adesão dos demais integrantes do G20, defendendo que o grupo aprove medidas concretas contra a desigualdade, incluindo tributação progressiva de grandes fortunas, reforma fiscal internacional e ações urgentes para o enfrentamento da crise da dívida.

A CEO da Oxfam GB, Halima Begum, declarou que a desigualdade resulta de escolhas políticas recentes. Segundo ela, políticas fiscais restritivas, ausência de tributação sobre grandes fortunas e redução de investimentos sociais ampliam pobreza, fome e instabilidade. 

A organização cita pesquisas que identificam relação direta entre desigualdade e aumento de apoio a discursos populistas e antissistema, impulsionados pela percepção de abandono das camadas mais pobres.

Tributação dos ultrarricos reaparece como proposta central

A Oxfam classificou como um “segredo aberto” o volume de riqueza acumulado pelos bilionários ligados às economias do G20. Apenas 8% da arrecadação tributária dos países do grupo provém de impostos sobre riqueza.

A organização defende que a fortuna de US$ 15,6 trilhões (R$ 83,2 trilhões) dos bilionários do G20 seja “tributada de forma justa” para combater a pobreza e a crise climática. Atualmente, apenas oito centavos de cada dólar de arrecadação fiscal no G20 vêm de impostos sobre a riqueza.

Por meio do relatório, a entidade pediu para que o G20 retome os compromissos firmados no encontro anterior, no Brasil, para desenvolver uma agenda de taxação efetiva de super-ricos. A entidade criticou ainda a postura dos Estados Unidos, que se afastaram de iniciativas de cooperação tributária e pressionam por isenções a grandes corporações internacionais, como no acordo global sobre tributação mínima de empresas.

Segundo a Oxfam, medidas fiscais coordenadas são essenciais para frear a desigualdade, financiar serviços públicos e enfrentar os impactos da crise climática e social.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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