PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Gilmar Mendes retoma Câmara de Conciliação sobre o Marco Temporal no STF

A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em nota, pediu a suspensão integral da Lei do Marco Temporal
A imagem mostra uma pessoa indígena de costas, em frente ao prédio do STF

A imagem mostra uma pessoa indígena de costas, em frente ao prédio do STF

— Joédson Alves/Agência Brasil

23 de junho de 2025

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), iniciou, nesta segunda-feira (23), a última sessão da Câmara de Conciliação que debate a Lei do Marco Temporal, que determina que as comunidades indígenas têm direito apenas às terras que estavam sob sua posse em 1988 e outros dispositivos referentes à demarcação de territórios.

A legislação foi aprovada em 2023 e, desde então, é alvo de disputas judiciais e diversas críticas sobre o risco que representa aos direitos territoriais dos povos tradicionais. 

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Em abril de 2024, Mendes instaurou a Câmara, que reúne membros do Senado, da Câmara dos Deputados, governadores, representantes da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP).

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) optou por se retirar da audiência e denunciou a falta de igualdade nas discussões. Em nota divulgada nesta segunda-feira, a entidade solicita a suspensão integral do texto legislativo.

“A câmara é um espaço inconstitucional que tenta negociar os direitos indígenas e realizar uma conciliação forçada. Queremos a suspensão da Lei do Genocídio Indígena, que tem promovido constantes violências contra nossos corpos e territórios”, declarou o coordenador executivo da Apib, Dinamam Tuxá.

Segundo a Apib, foram registrados cerca de 200 assassinatos de indígenas somente no ano em que o Marco Temporal foi aprovado. O número representa um aumento de 15% no número de vítimas em relação a 2022. As informações são do relatório Violência contra os Povos Indígenas do Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A associação destaca que a proposta apresentada por Mendes, em fevereiro, inclui uma minuta que propõe retirar o Marco Temporal da Lei do Genocídio Indígena, além de prever a flexibilização da exploração de recursos em terras indígenas em casos de interesse público da União.

Conforme aponta o departamento jurídico da entidade, a proposta do ministro representa ao menos dez retrocessos aos direitos indígenas, como o enfraquecimento da consulta prévia, a criminalização das retomadas e a indenização a ocupantes não indígenas.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano