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Iniciativa Negra realiza debate sobre mulheres e políticas antiproibicionistas em São Paulo

Evento no dia 20 de março discute impactos do encarceramento e propõe caminhos para uma política de bem viver, com mediação de Juliana Borges
Silhuetas de mulheres em cárcere.

Silhuetas de mulheres em cárcere.

— Reprodução/Agência Brasil

19 de março de 2025

A Iniciativa Negra promove nesta quarta-feira (20), às 19h, no espaço Bananal, na Barra Funda, São Paulo, mais uma edição do “Boteco Brasileiro de Política de Drogas”. O encontro, que abre a programação de 2025, terá como tema “Mulheres e Liberdade: Perspectivas Antiproibicionistas”, debatendo os efeitos das políticas proibicionistas sobre as mulheres e o impacto do encarceramento em suas vidas e comunidades.

O debate será mediado por Juliana Borges, coordenadora de advocacy da Iniciativa Negra, e contará com a participação de Luka Franca, coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado – SP, e Keit Lima (PSOL), vereadora de São Paulo e ativista política. As convidadas compartilharão suas vivências e reflexões sobre a intersecção entre feminismo, antiproibicionismo e justiça social.

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Segundo Juliana Borges, o evento busca ampliar a discussão sobre a relação entre feminismo e política de drogas. A coordenadora ressalta que o feminismo antiproibicionista busca alternativas à punição como resposta à violência contra as mulheres.

“Historicamente, a resposta predominante ao enfrentamento da violência contra as mulheres tem sido a punição. No entanto, acreditamos que outras saídas são possíveis — saídas que apontem para a mediação de conflitos, a responsabilização com reparação e a reconstrução de laços”, afirma em entrevista à Alma Preta.

Ela reforça que a violência contra as mulheres não pode ser combatida apenas por meio da repressão. “A violência é um problema estrutural. A Organização Mundial da Saúde e a Organização das Nações Unidas (ONU) já reconheceram que se trata de uma questão endêmica, que não se resolve apenas com punição. Pelo contrário, a punição pode agravar as tensões dentro das comunidades e entre os laços sociais”, explica.

Autonomia econômica e o papel dos homens

Outro ponto levantado por Juliana é a importância da autonomia econômica no rompimento do ciclo da violência. “Mais do que proteção, é preciso promover autonomia, pois isso se mostra muito mais eficaz. Sem condições dignas de vida, qualquer política de enfrentamento à violência se torna incompleta”, afirma.

Ela também ressalta a necessidade de envolver os homens na discussão. “O patriarcado não impacta apenas as mulheres. Ele afeta toda a sociedade, inclusive os próprios homens, que precisam ser chamados para a conversa. É necessário um processo de reeducação, escuta e rediscussão sobre os modelos de masculinidade e de relações sociais que adotamos”, diz Juliana.

Programação interativa e encerramento com samba

Além do debate, o evento terá a dinâmica Puxa e Solta, na qual as convidadas responderão perguntas rápidas, e será encerrado com uma apresentação de Roberta Oliveira, cantora e compositora campineira, acompanhada da roda de samba Samburbano.

O evento conta com apoio do Bananal, que cede o espaço, e da Cozinha Ocupação 9 de Julho, responsável pela venda de comidas e bebidas. A iniciativa também tem apoio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Serviço

Boteco Brasileiro de Política de Drogas – Mulheres e Liberdade: Perspectivas Antiproibicionistas

Quando: 20 de março de 2025 (quinta-feira)

Horário: Das 19h às 22h

Onde: Bananal – Rua Lavradio, 237 – Barra Funda, São Paulo (SP)

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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