As redes sociais de diversos sites de jornalismo independente têm sido derrubadas nos últimos meses, denuncia a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
“Tais medidas, frequentemente adotadas de forma arbitrária e sem transparência, configuram uma grave forma de censura privada das plataformas, comprometendo o direito à informação, a liberdade de imprensa e a pluralidade do debate público”, diz a organização.
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A organização alerta que esse fenômeno pode se intensificar com a proximidade do período eleitoral. “Grupos organizados têm explorado as fragilidades dos algoritmos das big techs para derrubar perfis críticos através de campanhas massivas de denúncias falsas”, diz o comunicado.
A situação é particularmente alarmante nas regiões Norte e Nordeste, justamente sobre veículos independentes que atuam em territórios considerados “desertos de notícias”, com pouquíssima fiscalização do poder público e privado local. Como diz a nota, são “as poucas vozes a registrar conflitos socioambientais, violações de direitos humanos e pautas invisibilizadas pelos grandes meios de comunicação”.
Na Amazônia, a federação cita casos recentes que revelam, segundo ela, um preocupante padrão de vulnerabilidade. As contas do jornalista Adriano Wilkson, de Belém (PA); do portal Tapajós de Fato, de Santarém (PA); e da jornalista Mary Tupiassu, do Amazônia no Ar, foram suspensas sem aviso prévio ou a partir de denúncias questionáveis envolvendo direitos autorais.
De acordo com relatos dos próprios jornalistas reproduzidos na nota, as plataformas — especialmente a Meta — parecem operar sob uma lógica perversa: primeiro derrubam e só depois investigam.
No Nordeste, a entidade relata que a Rede Cajueira, que há cinco anos fortalece o jornalismo nordestino e a produção de conteúdo regional, teve sua conta no Instagram desativada sem justificativa adequada, interrompendo um canal construído junto a milhares de leitores e leitoras.
Nesse contexto, a Fenaj denunciou também a derrubada do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).
“O ataque a uma entidade com quase 90 anos de história e reconhecida trajetória de defesa da democracia, dos direitos trabalhistas e da liberdade de imprensa representa também um ataque à organização sindical e ao direito coletivo de comunicação”.