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Mulheres negras foram 65% das vítimas de feminicídio no Brasil em 2025, diz Anuário

Segundo o levantamento, uma mulher foi vítima de tentativa de homicídio e feminicídio por hora no Brasil
Uma camiseta com sangue falso escrita “Ele Perdeu a Paciência”, durante protesto contra a violência de gênero no Rio de Janeiro, em 26 de dezembro de 2024.

Uma camiseta com sangue falso escrita “Ele Perdeu a Paciência”, durante protesto contra a violência de gênero no Rio de Janeiro, em 26 de dezembro de 2024.

— Reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil

24 de julho de 2026

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, publicado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), indicam que as mulheres negras seguem como as principais vítimas fatais da violência de gênero no país. 

O estudo aponta que, entre os 1.571 feminicídios registrados em 2025, as mulheres negras representaram 65,1% das vítimas, enquanto os casos envolvendo mulheres brancas somaram 34%. 

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Os feminicídios apresentaram um crescimento de 4% no período analisado. Os companheiros e ex-companheiros foram identificados como autores em 79,8% dos casos.  

Leia mais: Negros têm 3,5 vezes mais risco de morrer em ações policiais, aponta Anuário de Segurança Pública

As mulheres negras também foram as principais atingidas pelas Mortes Violentas Intencionais (MVI), com 74,6% dos casos. Mulheres brancas corresponderam a 24,6% dos registros. 

O documento ressalta a ausência de informações sobre raça ou cor em 13,1% dos registros. Para o Fórum, a lacuna dificulta a interpretação dos índices pelo poder público para a criação de políticas públicas de combate à violência contra a mulher. 

“Mais do que um problema estatístico, essa lacuna de dados compromete a compreensão mais acurada do próprio fenômeno da violência e a eficácia de políticas públicas, que, quanto mais formuladas com base em evidência, mais chance têm de serem eficazes”, diz trecho da publicação. 

De acordo com o levantamento, houve aumento dos casos de tentativa de feminicídio e de feminicídio. Em números absolutos (8.864), houve um crescimento de 4% nos índices em relação a 2024, equivalente a aproximadamente uma vítima por hora. 

Isoladas, as tentativas de feminicídio no Brasil somaram 4.189 casos, um aumento de 5,2%. Para cada feminicídio consumado no país, houve quase três tentativas. 

Foi observado um aumento considerável, de 30,1%, na perseguição, ou stalking, tipificada pela Lei 14.132/2021. Enquanto 2024 registrou 94.836 casos, no ano seguinte foram observados 123.871. 

Na violência doméstica, a variação foi de 2,6%, com 277.916 casos em 2025. São Paulo (68,8 mil), Rio de Janeiro (42,3 mil) e Paraná (31,4 mil) foram destaques em números absolutos nas lesões corporais dolosas. Os menores índices foram constatados no Ceará (524), no Amapá (538) e em Sergipe (1.171). 

Leia mais: Seis em cada 10 policiais mortos no Brasil são negros, revela Anuário de Segurança Pública

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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