Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, publicado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), indicam que as mulheres negras seguem como as principais vítimas fatais da violência de gênero no país.
O estudo aponta que, entre os 1.571 feminicídios registrados em 2025, as mulheres negras representaram 65,1% das vítimas, enquanto os casos envolvendo mulheres brancas somaram 34%.
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Os feminicídios apresentaram um crescimento de 4% no período analisado. Os companheiros e ex-companheiros foram identificados como autores em 79,8% dos casos.
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As mulheres negras também foram as principais atingidas pelas Mortes Violentas Intencionais (MVI), com 74,6% dos casos. Mulheres brancas corresponderam a 24,6% dos registros.
O documento ressalta a ausência de informações sobre raça ou cor em 13,1% dos registros. Para o Fórum, a lacuna dificulta a interpretação dos índices pelo poder público para a criação de políticas públicas de combate à violência contra a mulher.
“Mais do que um problema estatístico, essa lacuna de dados compromete a compreensão mais acurada do próprio fenômeno da violência e a eficácia de políticas públicas, que, quanto mais formuladas com base em evidência, mais chance têm de serem eficazes”, diz trecho da publicação.
De acordo com o levantamento, houve aumento dos casos de tentativa de feminicídio e de feminicídio. Em números absolutos (8.864), houve um crescimento de 4% nos índices em relação a 2024, equivalente a aproximadamente uma vítima por hora.
Isoladas, as tentativas de feminicídio no Brasil somaram 4.189 casos, um aumento de 5,2%. Para cada feminicídio consumado no país, houve quase três tentativas.
Foi observado um aumento considerável, de 30,1%, na perseguição, ou stalking, tipificada pela Lei 14.132/2021. Enquanto 2024 registrou 94.836 casos, no ano seguinte foram observados 123.871.
Na violência doméstica, a variação foi de 2,6%, com 277.916 casos em 2025. São Paulo (68,8 mil), Rio de Janeiro (42,3 mil) e Paraná (31,4 mil) foram destaques em números absolutos nas lesões corporais dolosas. Os menores índices foram constatados no Ceará (524), no Amapá (538) e em Sergipe (1.171).
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