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Manual padroniza coleta de dados sobre feminicídios no Brasil

Publicação da Fiocruz sistematiza metodologia de monitoramento digital; sistema FemiBOT reúne dados de assassinatos femininos em capitais da Amazônia Ocidental e no Rio de Janeiro
Mulheres fazem passeata no Dia Internacional da Mulher - 8M, por direitos e contra a violência e o feminicídio, no centro da cidade.

Mulheres fazem passeata no Dia Internacional da Mulher - 8M, por direitos e contra a violência e o feminicídio, no centro da cidade.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

26 de março de 2026

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) disponibilizou gratuitamente o acesso à versão digital do Manual de Uso do Vigifeminicídio – Padronizando e sistematizando a captura e o armazenamento inteligente de dados sobre assassinatos femininos. 

A publicação de 150 páginas sistematiza e padroniza o processo de captura, coleta e armazenamento de dados sobre feminicídios, garantindo transparência, consistência e reprodutibilidade ao processo.

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O Manual é a referência da estratégia de atuação da Rede de Observatórios de Vigilância Digital e Prevenção ao Feminicídio. 

Desenvolvido por trabalhadores de saúde com nível superior que atuam na produção ou aperfeiçoamento de estatísticas vitais, o documento resulta de três anos de compilação de dados, com consulta e extração criteriosa a partir de milhares de reportagens, dados oficiais de mortalidade e informações da segurança pública e do Judiciário.

A Rede Vigifeminicídio também disponibilizou à sociedade o Sistema FemiBOT, ferramenta digital que permite ao usuário comum acessar dados qualificados e atuais sobre assassinatos femininos. O sistema possui sete módulos, sendo o acesso mais amplo restrito à equipe responsável pelo gerenciamento dos dados.

Leia mais: Falta de dados raciais impede políticas eficazes de combate à violência de gênero

O epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana, coordenador da Rede de Observatórios, explica que a metodologia do projeto evoluiu desde 2017. 

A estratégia partiu de uma análise de assassinatos femininos baseada em raspagem manual de dados na internet e integração com dados oficiais de mortalidade, para um projeto que hoje cobre todas as capitais da Amazônia Ocidental (Porto Velho, Rio Branco, Manaus e Boa Vista), além de uma frente carioca que monitora os assassinatos femininos no Rio de Janeiro.

Os dados de Manaus e Porto Velho configuram as séries históricas mais longas (2016-2025) e abrangentes (82 variáveis sobre a vitimização letal) entre as capitais brasileiras, segundo os pesquisadores. 

O material permite análises inéditas e estimações com potencial para contribuir no aperfeiçoamento de políticas públicas de redução da violência contra a mulher e na qualificação dos dados oficiais de mortalidade nas cidades e estados parceiros.

O Vigifeminicídio conta com espaço físico próprio no Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus, incluindo tablets, computadores e um servidor exclusivo para o armazenamento de dados sensíveis.

Integração com políticas nacionais

A criação do sistema foi anunciada durante o 1º Seminário Amazônico sobre Vigilância Inteligente do Feminicídio, promovido na Fiocruz Amazônia. 

O projeto denominado “Monitoramento epidemiológico e espaço-temporal da mortalidade por agressão e do feminicídio”, tem como objetivo desenvolver recursos computacionais e aperfeiçoar estratégias de monitoramento dos feminicídios.

A iniciativa está alinhada ao Decreto nº 12.145, publicado em fevereiro de 2026, que propõe a integração entre a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) e o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

Leia mais: Três Poderes fazem pacto para acelerar combate ao feminicídio

O manual reúne anos de experiência acumulada com a captura, tratamento e análise de dados sobre assassinatos femininos.

 O documento traz instruções detalhadas sobre a coleta manual de dados na internet (mineração de dados), incluindo imprensa on-line, dados geográficos e informações de secretarias de segurança pública, tribunais de justiça e Ministério Público estadual.

Há também orientações para o processo de integração dos dados oficiais de mortalidade das secretarias estaduais de saúde ao projeto, além de instruções para uso do sistema automatizado FemiBot.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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