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‘Meta não esperava essa mobilização’: Jones Manoel denuncia motivação política em exclusão de redes sociais

Historiador e comunicador teve contas banidas sem justificativa; em entrevista, Jones denuncia censura política e poder desmedido das big techs sobre a comunicação no Brasil
O historiador e comunicador Jones Manoel.

O historiador e comunicador Jones Manoel.

— Tomaz Silva/Agência Brasil

8 de agosto de 2025

Após recuperar suas contas no Facebook e no Instagram, o historiador e comunicador popular Jones Manoel afirmou que a exclusão feita pela Meta teve motivação política. “Tenho certeza de que há motivação política, especialmente considerando que a Meta simplesmente não deu, até agora, nenhuma explicação. Não houve explicação oficial, não há uma posição clara”, disse, em entrevista à Alma Preta.

Jones apontou que a decisão de banimento partiu da empresa sem oferecer a possibilidade de recurso administrativo e sem qualquer tipo de aviso prévio. “Isso evidencia um poder desmedido das big techs e a falta de regulação”, afirmou.

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Quando questionado sobre a arbitrariedade da rede social em relação a figuras de extrema-direita, que mantêm contas mesmo após discursos de ódio, o historiador denunciou o que considera um favorecimento sistemático da extrema direita por parte das grandes plataformas digitais. 

“Me parece muito claro que as big techs privilegiam conteúdos de extrema direita. Isso já está fora de dúvida. Há diversas pesquisas e estudos acadêmicos que demonstram isso.”

O comunicador citou, como exemplo, o seminário recente do Partido Liberal (PL), partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que contou com os logotipos da Meta e do Google na divulgação oficial. Para ele, “o engajamento de figuras como o Nikolas Ferreira não é orgânico. É um engajamento que, claramente, conta com o empenho das próprias empresas”.

Também foi destacado que o impacto dessas práticas não atinge apenas figuras públicas. “Veja, eu sou um militante comunista, um ator político. Mas, para além de mim, há várias pessoas que dependem das redes sociais para o seu trabalho, sua atividade econômica, para tocar seus negócios”, explica. Para o entrevistado, falta regulação e definição de critérios claros para limitar o poder arbitrário das big techs.

“Precisamos de redes sociais brasileiras”

Jones também defendeu que o Brasil avance no debate sobre soberania digital. “Precisamos ter redes sociais brasileiras, com controle público, democrático e popular. A governança algorítmica deve ser definida a partir dos interesses coletivos (debatidos e acordados na sociedade) e não subordinada a interesses privados”, afirmou.

Para ele, esse controle exercido por grandes empresas de tecnologia estrangeiras fragiliza o país. “Uma empresa como a Meta não pode controlar, a seu bel-prazer, os dados e a comunicação digital de milhões de brasileiros. Isso fere a soberania nacional e fragiliza o país.”

Jones concluiu que é necessário atuar em duas frentes: “um debate imediato sobre regulação das redes sociais e um debate sobre autonomia tecnológica e produtiva do Brasil.”

Contas reativadas após pressão popular

A Meta reativou as contas de Jones Manoel na madrugada desta sexta-feira (8). O retorno ocorreu após intensa mobilização nas redes sociais e manifestações de solidariedade de parlamentares, artistas, organizações populares e apoiadores em geral.

“A empresa sentiu a pressão política, e foi por isso que minhas redes foram reabilitadas — por conta da onda de solidariedade, da força de tudo o que aconteceu”, declarou Jones em vídeo divulgado logo após a recuperação das contas. Ele agradeceu a advogados, apoiadores e lideranças políticas.

Apesar da reativação das redes, a assessoria jurídica de Jones segue avaliando se dará continuidade à ação judicial. Segundo o comunicador, a decisão será tomada após análises técnicas sobre o funcionamento atual das contas. “Mesmo com a ação judicial em andamento, não existe garantia de que a Meta não volte a fazer isso no futuro”, alertou.

A equipe jurídica do comunicador segue monitorando as contas para identificar se há algum tipo de limitação conhecida como “shadow ban” — quando o perfil continua ativo, mas o conteúdo não é entregue ao público.

“Vamos avaliar se a rede social está funcionando normalmente ou se retornou com o shadow ban. A partir disso, vamos decidir os próximos caminhos jurídicos: se vamos seguir com a ação, se vamos exigir uma explicação formal da Meta, se vamos buscar uma indenização financeira”, explicou Jones.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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