Quem foi Nina Rodrigues? O Instituto Médico Legal de Salvador carrega, em homenagem, o nome do médico e professor Raimundo Nina Rodrigues, fundador da criminologia brasileira moderna. Seu nome está estampado no IML, localizado no bairro do Garcia, centro da cidade, onde recebe diariamente cadáveres da violência da cidade e municípios próximos: em sua maioria, homens negros.
A pergunta guia o minidocumentário “Nina”, produção da Alma Preta, que acompanha o jornalista Pedro Borges, editor do veículo. A estreia será no dia 15 de setembro, no canal da Alma Preta no YouTube.
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Borges mergulha na intersecção polêmica que rodeia o IML Nina Rodrigues: um espaço que carrega o nome de médico maranhense que defendia a tese de que pessoas negras eram mais propensas ao crime, construído em cima de um antigo terreiro de candomblé e que recebe diariamente corpos negros – muitos mortos pela polícia.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2021, a polícia baiana matou 300 pessoas somente em Salvador, número que subiu para 438 em 2022, 457 em 2023 e que caiu ligeiramente para 420 em 2024. Em quatro anos, 6.019 pessoas foram vítimas de mortes violentas na cidade e todas elas passaram pelo IML Nina Rodrigues.
Durante esse período, Borges acompanhou noites de trabalho no instituto e constatou que, em todos os casos de violência presenciados, a vítima era um homem e todos os corpos que ele pode ver eram negros. Entre elas, Jackson Santos da Silva, conhecido como Senegal, morto por policiais militares da Rondesp, a tropa de elite baiana, e personagem destaque do documentário.
A investigação de Pedro Borges não só resultou no minidocumentário “Nina”, mas também em uma série de reportagens sobre o assunto, que serão publicadas no site da Alma Preta nos próximos dias.
A primeira delas explora a relação de Raimundo Nina Rodrigues com o racismo científico, sua relação com o Instituto Médico Legista de Salvador e a história do Terreiro Língua de Vaca, hoje submerso às instalações do instituto.
A reportagem ainda traz depoimentos de Amanda Quaresma, pesquisadora do IML e autora do livro “Os corpos gritam para ninguém – uma análise dos laudos da Chacina do Cabula“, de Dudu Ribeiro, co-fundador da Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas, e de Ronaldo Jacobina, professor da Faculdade de Medicina da UFBA, onde Nina Rodrigues estudou e desenvolveu parte de sua carreira.
Os relatos de Amanda Quaresma, Ronaldo Jacobina e de familiares de Senegal podem também ser vistos no minidocumentário “Nina”, no ar no dia 15 de setembro de 2025.