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Ministros da América Latina e Caribe pedem mais recursos para enfrentar crise climática antes da COP30

Lideranças regionais defendem fundo climático latino-americano e cobram maior compromisso de países desenvolvidos
O presidente designado da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o brasileiro André Correa do Lago (à direita), discursa durante uma conferência conjunta com a secretária mexicana de Meio Ambiente e Recursos Naturais, Alicia Barcena (à esquerda), na Cidade do México, em 26 de agosto de 2025.

O presidente designado da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), o brasileiro André Correa do Lago (à direita), discursa durante uma conferência conjunta com a secretária mexicana de Meio Ambiente e Recursos Naturais, Alicia Barcena (à esquerda), na Cidade do México, em 26 de agosto de 2025.

— Yuri Cortez/AFP

27 de agosto de 2025

Ministros do Meio Ambiente da América Latina e do Caribe se reuniram na Cidade do México para alinhar estratégias em torno do financiamento climático antes da 30ª Conferência das Partes da ONU (COP30), prevista para novembro, em Belém (PA). O encontro teve como objetivo construir uma narrativa regional diante do aquecimento global e reforçar a liderança da região nos debates internacionais.

Em declaração ministerial, as autoridades reafirmaram a necessidade de ampliar a provisão de meios de implementação por parte dos países desenvolvidos. A nota destaca que o financiamento climático deve ser novo, adicional, previsível, adequado e acessível.

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O México propôs a criação de um fundo climático específico para a América Latina, voltado ao enfrentamento das consequências da mudança do clima. A ideia busca complementar o fundo global destinado a países vulneráveis, cuja criação foi definida na COP28.

Segundo a ministra mexicana do Meio Ambiente, Alicia Bárcena, a vulnerabilidade da região diante da crise climática é alarmante. Embora a América Latina seja responsável por apenas 11,3% das emissões globais de gases poluentes, 74% dos países já enfrentaram fenômenos climáticos recorrentes, como secas, enchentes e ondas de calor.

Cooperação amazônica

Na mesma direção, os presidentes de Brasil, Colômbia e Bolívia pediram, em Bogotá, cooperação regional para proteger a floresta amazônica, seus povos e apresentar uma posição comum durante a COP30. O encontro fez parte da 5ª Cúpula de Países Amazônicos, realizada na capital colombiana.

A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, compartilhada por nove países, sofre com o desmatamento, o narcotráfico, o garimpo ilegal e o impacto dos hidrocarbonetos. O objetivo da reunião foi coordenar ações conjuntas para enfrentar esses desafios.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que será inaugurado em 9 de setembro em Manaus, com foco no combate ao crime organizado, garimpo ilegal, narcotráfico e contrabando. Lula também destacou a COP30 como oportunidade de dar visibilidade internacional às necessidades da região.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, defendeu a transição energética e criticou os combustíveis fósseis, enquanto o presidente boliviano, Luis Arce, ressaltou a necessidade de sobrepor interesses regionais aos nacionais. Os três líderes assinaram a Declaração de Bogotá, que prevê coordenação de agendas climáticas, criação de fundo internacional para florestas tropicais e promoção de uma transição energética justa.

Indígenas e afrodescendentes participaram do encontro, pedindo ações concretas para além dos discursos. A cúpula ocorreu em meio à pior onda de violência na Colômbia em uma década, marcada por ataques que deixaram 20 mortos na véspera do evento.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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