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Moradores de favelas têm mais acesso a ultraprocessados do que alimentos saudáveis

Estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta desafios de uma dieta nutritiva nas periferias brasileiras
Imagem mostra uma distribuição de alimentos saudáveis feita pela ONG Voz das Comunidades, no Rio de Janeiro, em 2021.

Foto: Selma Souza/Voz das Comunidades

18 de março de 2024

Um estudo inédito realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou os desafios enfrentados pelos moradores de favelas brasileiras no acesso a alimentos saudáveis. Publicada na revista “Cadernos de Saúde Pública” nesta segunda-feira (18), a pesquisa destaca a influência do ambiente alimentar nas escolhas dos residentes dessas comunidades, apontando limitações como a falta de acesso físico e financeiro a alimentos nutritivos.

Segundo a pesquisa, coordenada pelo Grupo de Estudos, Pesquisas e Práticas em Ambiente Alimentar e Saúde (GEPPAAS) da UFMG, a dificuldade de acesso é agravada pela escassez de informações sobre alimentação adequada, restrições de renda e a presença predominante de estabelecimentos que oferecem alimentos ultraprocessados a preços acessíveis.

As autoras do estudo conduziram dois grupos focais online, com a participação de dez moradores de favelas de diferentes cidades do país em novembro de 2022. O trabalho revelou que a falta de acesso físico e financeiro a alimentos saudáveis aliada à alta disponibilidade de produtos ultraprocessados dificulta a adoção de uma dieta nutritiva.

De acordo com Luana Lara Rocha, pesquisadora da UFMG e autora do artigo, os participantes expressaram o desejo de integrar mais verduras, legumes, frutas, carnes, arroz e feijão em sua alimentação diária. No entanto, os preços elevados desses alimentos e a falta de tempo foram apontados como obstáculos significativos.

“A condução de estudos específicos para áreas de comunidades é importante para captar suas particularidades. Cerca de 16 milhões de brasileiros vivem em favelas, segundo o Censo 2022 do IBGE, o que corresponde a 7,4% da população brasileira”, destaca.

Diante dos desafios identificados, os pesquisadores desenvolveram um instrumento para avaliar a percepção do acesso aos alimentos em favelas. Rocha planeja agora conduzir uma pesquisa de campo em Belo Horizonte, utilizando essa ferramenta para coletar informações sobre o ambiente alimentar, segurança alimentar e nutricional, e o estado nutricional das crianças nas favelas do município.

Segundo o estudo, os dados obtidos serão fundamentais para subsidiar políticas públicas e programas que incentivem o acesso a alimentos saudáveis a preços acessíveis, além de estratégias relacionadas ao transporte, segurança e ambiente desses locais.

“A complexidade dos problemas relacionados à vida urbana na favela exige soluções específicas e integradas”, conclui a pesquisadora.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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