PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

MP pede interrupção da remoção de terreiro de candomblé em Salvador

O órgão pede o prazo de 15 dias para a comunidade do terreiro Ilê Axé Oyá Onirá realizar os devidos rituais para retirada de objetos sagrados do local demolido
A foto mostra uma caixa com objetos sagrados do Ilê Axé Oyá Onira'D, após a demolição do terreiro.

A foto mostra uma caixa com objetos sagrados do Ilê Axé Oyá Onira'D, após a demolição do terreiro.

— Reprodução / Instagram

19 de junho de 2025

O Ministério Público da Bahia (MPBA) solicitou, na quarta-feira (18), ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) que interrompa imediatamente as intervenções de remoção da comunidade religiosa do Ilê Axé Oyá Onira’D.

Localizado no Parque Pituaçu, em Salvador, o terreiro de candomblé foi demolido no dia 9 de junho sob a justificativa de que a casa de fé ocupava a área irregularmente. Segundo o órgão, há denúncias de que a demolição foi autorizada sem o prévio diálogo com a comunidade.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O documento do MPBA ressalta que a ocupação do parque não é recente e não justifica qualquer tipo de intervenção pública seletiva ou direcionada para a comunidade religiosa em questão, podendo ser tipificado como racismo religioso. 

Para o Ministério Público, a atuação do instituto indica uma possível violação dos direitos à liberdade religiosa. O órgão recorda as legislações e convenções internacionais, das quais o Brasil é signatário, que asseguram a livre exercício dos

cultos religiosos no país. 

Além da interrupção imediata das ações de remoção, a recomendação do órgão pede que o governo baiano garanta o respeito à liberdade de culto e liturgia das religiões de matriz africana.

O parecer, assinado pela promotora de Justiça Lívia Maria Santana, também pede o prazo de 15 dias para que os integrantes do terreiro possam realizar os rituais necessários para a transferência dos assentamentos e outros objetos sagrados que permanecem no local. 

“A prevalência de um direito fundamental não deve ocorrer de modo a esvaziar completamente o sentido do direito fundamental supostamente em conflito”, afirma a promotora em trecho do documento.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano