O Museu das Favelas, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, e a Universidade de São Paulo (USP), por meio do Programa de Pós-Graduação Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades (PPGHDL-FFLCH), abrem inscrições para a disciplina “Racismos e Fundamentalismos na Era da Iconomia: Frantz Fanon e a Crítica das Imagens nas Tecnologias Digitais”.
A iniciativa coloca o saber periférico no centro do debate acadêmico ao analisar as relações entre tecnologias digitais, cultura e desigualdade. O curso tem início previsto para 9 de março de 2026, com aulas on-line às segundas-feiras, das 19h às 23h.
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A disciplina tem carga horária total de 120 horas e será coordenada pelo professor Gilson Schwartz, do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), por Priscilla Fenics, coordenadora de comunicação do Museu das Favelas, e por Nelson Crisóstomo, animador cultural com 25 anos de atuação.
O programa propõe uma análise crítica e interdisciplinar sobre como o racismo estrutural e os fundamentalismos são amplificados por tecnologias emergentes, incluindo blockchain, criptofinanças, inteligência artificial e gamificação. O pensamento de Frantz Fanon, psiquiatra e pensador revolucionário, serve como referencial teórico central, ao lado de outros autores influenciados por sua obra.
Exposição como laboratório de pesquisa
A disciplina utiliza como eixo transversal e metodológico a exposição “Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon”, em cartaz no Museu das Favelas até maio de 2026. A conexão transforma o espaço museológico em um laboratório crítico, onde os conteúdos curatoriais e os dispositivos expositivos se tornam material primário de análise.
“Ao integrar a Pós-Graduação, estamos transformando a exposição ‘Imaginação Radical’ em um laboratório vivo de pesquisa, permitindo que os estudantes vivenciem a teoria fanoniana”, afirmou Natália Cunha, diretora do Museu das Favelas. “Para nós, é fundamental cumprir a missão de potencializar o protagonismo das favelas.”
Entre os principais resultados esperados está o desenvolvimento colaborativo de um Glossário e Arquivo Aberto de pesquisa viva, com projetos críticos a serem publicados pelo Museu das Favelas e pelo projeto Quilombo Inteligente. A iniciativa busca garantir a democratização e o acesso ao conhecimento gerado.
O público-alvo é amplo e interdisciplinar. As inscrições estão abertas a ouvintes profissionais, pesquisadores e graduados em áreas como Ciências Sociais, Filosofia, Comunicação, Psicologia, Antropologia, Estudos de Gênero, História, Engenharias e Direito.
O prazo para inscrições do público geral termina em 5 de março. Estudantes vinculados à USP devem se inscrever pelo sistema oficial da universidade, com verificação do período de matrícula na Pós-Graduação da FFLCH. Participantes ouvintes podem se inscrever pelo e-mail [email protected].