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Pitchings do Coquetel Molotov revelaram potencial de artistas negros (as) de PE

Encontros virtuais reuniram artistas negros (as) em ascenção, que foram ouvidos por compradores de todo país; Iniciativa demonstra a diversidade da produção musical pernambucana

Texto: Lenne Ferreira e Dindara Ribeiro  | Imagem: Divulgação

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19 de novembro de 2021

Ajudar na visibilização do trabalho de artistas independentes é o principal objetivo do Coquetel Molotov Negócios, que aconteceu nos últimos dias 16, 17, 18 e 19. Há quatro edições, o evento reúne nomes da cena musical em encontros que, pelo segundo ano consecutivo, aconteceram virtualmente. Uma das ações que compõe a programação são os pitchings que servem de vitrine para nomes que buscam se firmar no mercado fonográfico. Críticos, produtores e agenciadores do país se tornam a plateia deste momento que revelou o potencial de artistas negros (as)

Ao todo, 45 artistas pernambucanos foram selecionados (as) para participar dos pitchings para 20 compradores, que assistiram às apresentações de cinco minutos. Na quarta (17), a programação contou com as participações de artistas como Uana, Bione, Okado do Canal, Afroito, Horus Beatz, Bell Puã, Siba Carvalho e Grupo Condor. Além de uma apresentação verbal, cada artista exibiu vídeos/poesias que revelam a pluralidade das suas produções.

bellpuã Bell Puã falou sobre a nova fase da carreira e apresentou o clipe Dale, que inaugurou sua história na música (Foto: Bernardo Mateus)

Um destaque do dia foi o artista Horuz, de São Lourenço da Mata, que apresentou o clipe “Damião”. O projeto audiovisual conta a história de um escravizado que matou seu feitor em 1880.  Ao pesquisar e conhecer sobre a história de Damião, o artista resolveu torná-la fonte de inspiração para uma letra que reflete sobre reparação histórica para o povo negro. Horuz fez questão de ressaltar as referencias que permeiam seu trabalho como questões políticas e sociais.

No segundo dia de performances virtuais, nomes como Caetana, Fernando Alakejá, Edilson Lima, Léo da Bodega, Iamclé e Orquestra Iorubás de Pernambuco também aproveitaram bem a oportunidade. “O corre é a melhora para a gente. Quem é da favela sabe que o corre é pesado, não é nada fácil trabalhar na cena atual e poder ser valorizado. O que a gente quer é trazer tudo o que é de bom e o que nos foi tomado de volta. É poder resgatar tudo que era nosso e não está com a gente”, comentou Edilson Lima, conhecido Neguinho PG (Poeta do Gueto).

Ele conta que, desde criança, já sabia que a escrita era uma forma de colocar a sua arte no mundo. Hoje, aos 25 anos, o cantor, compositor e MC, conhecido como Neguinho PG (Poeta do Gueto) canta a realidade da periferia, trazendo também influências do rap e funk nacional anos 90. Com mais de 200 letras escritas, dois clipes, um single e um EP lançados, Neguinho PG se divide entre a música e o trabalho como entregador de água. Para ele, a arte uma forma de dialogar e compartilhar esperança com o povo preto da favela.

Outro destaque foi a Orquestra Iorubás de Pernambuco que, através da junção da percussão do candomblé com instrumentos de cordas e sopros, constrói uma nova roupagem ancestral da cultura afrobrasileira e afro-ameríndia. Com respeito e licença aos orixás, a proposta da Orquestra é divulgar o Xangô pernambucano, trazendo uma ligação cultural com a valorização das religiões de matriz africana. Atualmente a Orquestra é dirigida pelos ogans/alagbès, pesquisadores e arranjadores percussivos: Osmair José (Maia), Márcio Oliveira (Márcio Monjòlo), Rinaldo Sabino (Pai Xangô) e o maestro, compositor e arranjador Parrô Mello.

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Artista em ascenção, Leo da Bodega tem produzido um trabalho autoral que conquista cada vez mais ouvidos (Foto: Hugo Muniz)

No último dia das audições, entre os artistas negros da programação estiveram nomes como Rayssa Dias, Barbarize, Luna Vitrolira, Isis Broken, Joma, Abulidu. A inventividade e alegria da poeta e cantora Luna Vitrolira também marcaram presença assim como a criatividade do grupo Barbarize, composto por YuriLumin e Bárbara Espíndola. Com uma estética afrofuturista, o projeto Barbarize mescla diversas linguagens culturais como música, teatro e dança, com mensagens de resistência, reconhecimento, pertencimento e valorização ao povo preto e periférico.

Destaque para o BregaFunk que foi unicamente representado pela artista Rayssa Dias, que mora em Salgadinho, Olinda. Cantora, compositora e poetisa, ela iniciou a carreira na cena do bregafunk como umas das primeiras mulheres do movimento a pautar o empoderamento feminino. Atuando há seis anos, Rayssa levou o ritmo a lugares a palcos como o Rec Beat Festival e o próprio Coquetel Molotov. Sua presença representou uma cena que ainda precisa ocupar mais espaços na cena musical de Pernambuco. 

  • Dindara Paz

    Baiana, jornalista e graduanda no bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade (UFBA). Me interesso por temáticas raciais, de gênero, justiça, comportamento e curiosidades. Curto séries documentais, livros de 'true crime' e música.

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