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Projeto leva educação midiática e inclusão digital para aldeias e quilombos

Baseado nas leis afro-brasileira e indígena, GriôTech possibilita o acesso à educação e a direitos informacionais para comunidades historicamente excluídas da internet
Oficina do GriôTech na Aldeia Multiétnica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Oficina do GriôTech na Aldeia Multiétnica, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

— Divulgação/GriôTech

4 de outubro de 2025

Para combater os efeitos da desinformação em territórios historicamente excluídos das políticas digitais no Brasil, um projeto inédito alia tecnologia, ancestralidade e justiça informacional . Trata-se do GriôTech, iniciativa que mapeia os fluxos de desinformação e treina lideranças comunitárias em educação midiática antirracista, com base nas leis 10.639/03 e 11.645/08, que determinam a obrigatoriedade do ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas.

O projeto do Instituto de Referência Negra Peregum, em parceria com a Mozilla Foundation, o Observatório de Gênero, Raça e Territorialidade na Ciência (GERATE) e a Rede de Jornalistas Pretos, atua na Aldeia Multiétnica Filhos da Terra, em Guarulhos (SP), e no Quilombo Santa Rita do Bracuí, em Angra dos Reis (RJ).

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“Estar junto da Aldeia Filhos da Terra nos mostra a potência das parcerias que valorizam saberes ancestrais e, ao mesmo tempo, enfrentam os desafios contemporâneos, como a desinformação e os impactos da tecnologia nas nossas comunidades”, afirma Vanessa Nascimento, diretora institucional do Instituto Peregum.

Resposta concreta à exclusão digital

O GriôTech integra tecnologias digitais, como inteligência artificial e metodologias participativas, à valorização de saberes ancestrais das comunidades negras e indígenas. Inspirado na figura do griô – o guardião da memória e do conhecimento –, o GriôTech aposta na criação de soluções baseadas em território, respeitando as especificidades culturais e ampliando a autonomia comunitária, contribuindo para a redução dos impactos da desinformação racializada nos territórios e ampliando o acesso à educação midiática crítica e antirracista, ao mesmo tempo em que projeta internacionalmente experiências de inovação social desenvolvidas a partir da periferia.

A iniciativa do Instituto Peregum tem o objetivo de influenciar as discussões em prol da justiça digital e da inclusão de comunidades vulneráveis no ambiente online. Em colaboração com o Observatório GERATE e a Rede de Jornalistas Pretos, o projeto, que atua diretamente no combate à desinformação em contextos marcados por desigualdade de acesso à educação, é ganhador do Clinton Global Initiative.

As frentes de atuação incluem o mapeamento dos fluxos informacionais locais, a partir por meio de uma pesquisa qualificada, a elaboração de cartografias sociais digitais construídas de forma colaborativa com os moradores, a realização de oficinas comunitárias que priorizam a alfabetização midiática e a produção de conteúdos autorais, a aplicação do programa “Comunicar para Transformar” — reconhecido com o prêmio da Clinton Foundation no CGI U 2023 — e a divulgação do e-book “Manual de Boas Práticas Antirracistas na Comunicação Digital”, lançado em março e disponibilizado gratuitamente como material formativo acessível. 

Após concluir a coleta de dados e oficinas de engajamento, o GriôTech realizará as oficinas de devolutiva e formação nos dois territórios. A fase seguinte contempla a análise colaborativa dos dados, elaboração de um relatório bilíngue (em português e inglês) e o lançamento público nacional e internacional, previsto para março de 2026.

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  • A Alma Preta é uma agência de notícias e comunicação especializada na temática étnico-racial no Brasil.

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