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RJ: metade da população periférica LGTBQIAPN+ já sofreu discriminação no trabalho, diz estudo

Mapeamento realizado pelo Grupo Conexão G pretende compreender indicadores para embasar políticas públicas
Imagem mostra a performance de Milu Almeida e Luiz Otávio na favela da Nova Holanda (RJ). Na foto, os artistas aparecem em cima de uma moto com trajes na cor rosa e laranja, enquanto dezenas de pessoas os cercam.

Foto: Amanda Baroni

26 de janeiro de 2024

Um levantamento inédito mapeou e ouviu a população LGTBQIAPN+ que mora nas favelas do Rio de Janeiro. Os resultados mostram que metade dos respondentes afirmaram já ter sofrido alguma forma de discriminação sexual ou de gênero durante o trabalho. Do número total, 53% dos entrevistados se declaram negros.

Intitulado “Primeiro Dossiê Anual de Violências LGBTI+ em Favelas”, o estudo realizado pelo Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas, sediado na comunidade Nova Holanda (RJ), pretende compilar dados, compreender os escassos indicadores de violência e embasar propostas de políticas públicas.

Durante um período de 18 meses, 1.705 pessoas da comunidade LGTBQIAPN+ foram ouvidas em 60 comunidades no Estado do Rio. Aproximadamente 48,28% dessas pessoas relataram ter sofrido violência durante uma abordagem policial, 47,80% já tiveram suas moradias invadidas, e 24,28% declararam que já se sentiram ameaçadas durante abordagem policial por conta da identidade de gênero ou orientação sexual.

Dentre os entrevistados, 23,5% revelaram ter sido vítimas de assédio sexual, enquanto 25,5% relataram ter sofrido abuso psicológico. Além disso, 80% das mulheres que se identificaram como lésbicas afirmaram ter sido vítimas de assédio sexual, evidenciando uma realidade específica dessa comunidade. Da mesma forma, 60% dos homens gays relataram que foram alvo de assédio moral.

Os dados também mostram que, no quesito empregabilidade, 41% dos entrevistados contaram que nunca tiveram carteira assinada. Desse recorte, as pessoas transsexuais são os que mais têm dificuldade: 65% das mulheres trans ou travestis responderam que são ou já foram profissionais do sexo. 

Cerca de 31% das pessoas entrevistadas também relataram receber uma renda mensal inferior a um salário mínimo, enquanto 9,4% afirmaram viver com um montante inferior a R$ 500 por mês.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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