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Trancistas promovem ação de resgate à autoestima em abrigo no RS

Ao lado de quatro barbeiros, Mikaa e outras quatro trancistas voluntárias cortaram e trançaram cabelos de algumas crianças em um abrigo que reúne 700 pessoas
A imagem mostra uma das trancistas que fez parte da ação de resgate da autoestima em abrigo do Rio Grande do Sul.

Foto: Reprodução

6 de maio de 2024

Em meio a todo o caos que assola o estado do Rio Grande do Sul, a artista e trancista Mikaa tem promovido iniciativas de resgate da autoestima de pessoas que estão em abrigos de Porto Alegre. No domingo (5), ela reuniu cabeleireiros e outras trancistas para cuidar dos cabelos de homens, mulheres e crianças que estão sem ter para onde ir. 

Em parceria com a associação Alvo Cultural, a ação reuniu quatro barbeiros, cinco trancistas e voluntários, inclusive uma mulher venezuelana que perdeu tudo. O abrigo onde a iniciativa foi promovida tem cerca de 700 pessoas e animais domésticos. O espaço conta ainda com uma cozinha solidária, banheiros químicos e um chuveiro recém instalado, como informou a artista à Alma Preta.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Mikaa falou sobre o que tem visto nos abrigos, quem são as pessoas que efetivamente estão ajudando e até sobre golpes que pedem transferências em dinheiro para pessoas ilhadas serem resgatadas.

“Vamos cortar os cabelos, trançar e trazer um pouco de autoestima, né? Porque eles precisam de roupa, mas precisam também de algum suporte psicológico, alguma distração e de autoestima”, disse na publicação.

Mesmo que os voluntários entendam o caos que as imediações de Porto Alegre vive, a artista destacou que muitas pessoas têm tentado promover a si e seus estabelecimentos. 

“Tem uma cidade aqui perto que chama Eldorado e ela sumiu. As cidades foram apagadas pela água. Enquanto isso outras pessoas dando golpe falando ‘se tu me pagar 500 reais, eu te salvo’. Gente, as pessoas estão com a roupa do corpo, como elas vão ter dinheiro? Ainda sim, as pessoas dão um jeito e conseguem o dinheiro. Quando elas pagam, não são resgatadas”, relatou, em um trecho do vídeo.

Em seu depoimento, a artista ainda destacou que estabelecimentos boêmios, que não foram atingidos pelas águas, querem que os funcionários estejam no horário para trabalhar.

O boletim mais recente da Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou que mais de 873 mil pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas, quase 130 mil estão desalojadas, mais de 20 mil em abrigos e 83 mortes já foram confirmadas — outras quatro estão sob investigação para saber se o óbito tem ligação com as cheias. Os resgates são feitos de forma gradual, com a ajuda da população, de acordo com a possibilidade de alcance a lugares mais afastados.

“A prioridade de resgate são as mulheres e crianças. Os homens começaram a ficar desesperados, e nesse desespero acabaram atirando em uma pessoa, agredindo pessoas com barcos porque eles não querem ser abandonados ali, eles não querem ficar para morrer”, completou a trancista.

  • Patricia Santos

    Jornalista, poeta, fotógrafa e vídeomaker. Moradora do Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, apaixonada por conversas sobre territórios, arte periférica e séries investigativas.

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