PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Arquivo do TJRJ preserva histórias de figuras do samba 

Processos revelam inventários de Heitor dos Prazeres, Tia Ciata e João da Baiana, ajudando a preservar a história da Pequena África
A matriarca do samba, Tia Ciata.

A matriarca do samba, Tia Ciata.

— Reprodução/UFMG

1 de março de 2026

Parte da história do samba e do carnaval carioca está registrada no Arquivo Central do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em processos judiciais preservados pela instituição. Entre os documentos históricos estão inventários e partilhas de Heitor dos Prazeres, Tia Ciata e João da Baiana, figuras centrais na consolidação do samba carioca.

O acervo permanente é protegido pelo Departamento de Gestão de Acervos Arquivísticos (Degea) e reúne fragmentos da trajetória de personagens que consolidaram o samba na região conhecida como Pequena África, localizada entre a Praça Onze e a Praça Mauá, abrangendo bairros como Saúde, Gamboa e Santo Cristo, uma das mais importantes áreas de presença negra das Américas.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Nos arquivos, constam processos relevantes para a memória cultural do Rio de Janeiro e do Brasil, além de contribuírem para a compreensão da identidade cultural da Pequena África. No inventário de Heitor dos Prazeres, por exemplo, há a listagem de composições e partituras, evidenciando a dimensão de sua produção artística.

Já o processo de partilha de Tia Ciata, a matriarca do samba, revela aspectos de sua estrutura familiar e a divisão amigável do patrimônio entre quatro filhos,  no entanto, pesquisas indicam que ela teria tido 14 descendentes. O documento também registra sua morte e faz referência ao primeiro samba gravado da história, “Pelo Telefone”, composto em seu quintal.

Entre os processos destacados está também o inventário de João da Baiana, filho de Tia Perciliana, uma das matriarcas da Pequena África. O sambista foi pioneiro ao introduzir o pandeiro no samba carioca e viveu em um período em que o gênero musical era criminalizado.

Os autos também materializam a resistência cultural na capital fluminense no período pós-abolição, ao registrar trajetórias marcadas pela afirmação da identidade negra e pela consolidação do samba como expressão popular.

O Arquivo Central do TJRJ disponibiliza o acervo para consulta pública. Pesquisadores e interessados podem solicitar acesso à documentação custodiada pelo órgão por meio do e-mail [email protected].

Com informações do O Globo

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Thayná Santana

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano