Parte da história do samba e do carnaval carioca está registrada no Arquivo Central do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), em processos judiciais preservados pela instituição. Entre os documentos históricos estão inventários e partilhas de Heitor dos Prazeres, Tia Ciata e João da Baiana, figuras centrais na consolidação do samba carioca.
O acervo permanente é protegido pelo Departamento de Gestão de Acervos Arquivísticos (Degea) e reúne fragmentos da trajetória de personagens que consolidaram o samba na região conhecida como Pequena África, localizada entre a Praça Onze e a Praça Mauá, abrangendo bairros como Saúde, Gamboa e Santo Cristo, uma das mais importantes áreas de presença negra das Américas.
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Nos arquivos, constam processos relevantes para a memória cultural do Rio de Janeiro e do Brasil, além de contribuírem para a compreensão da identidade cultural da Pequena África. No inventário de Heitor dos Prazeres, por exemplo, há a listagem de composições e partituras, evidenciando a dimensão de sua produção artística.
Já o processo de partilha de Tia Ciata, a matriarca do samba, revela aspectos de sua estrutura familiar e a divisão amigável do patrimônio entre quatro filhos, no entanto, pesquisas indicam que ela teria tido 14 descendentes. O documento também registra sua morte e faz referência ao primeiro samba gravado da história, “Pelo Telefone”, composto em seu quintal.
Entre os processos destacados está também o inventário de João da Baiana, filho de Tia Perciliana, uma das matriarcas da Pequena África. O sambista foi pioneiro ao introduzir o pandeiro no samba carioca e viveu em um período em que o gênero musical era criminalizado.
Os autos também materializam a resistência cultural na capital fluminense no período pós-abolição, ao registrar trajetórias marcadas pela afirmação da identidade negra e pela consolidação do samba como expressão popular.
O Arquivo Central do TJRJ disponibiliza o acervo para consulta pública. Pesquisadores e interessados podem solicitar acesso à documentação custodiada pelo órgão por meio do e-mail [email protected].
Com informações do O Globo