O Festival Latinidades, maior evento de mulheres negras da América Latina, chega à sua 18ª edição em 2025. Com o tema “Mulheres Negras Movem o Mundo”, o evento começa nesta quarta-feira (23) com a exposição “Alumbramento”, na galeria do Museu Nacional, em Brasília. O festival segue até o dia 31 de julho, enquanto a mostra se estende até 24 de agosto, com entrada gratuita.
Com curadoria de Nathalia Grilo, a exposição reúne obras de 25 artistas negros, indígenas e dissidentes de diferentes regiões e gerações, com foco em territórios historicamente excluídos do circuito institucional da arte. A proposta da mostra é criar uma experiência imersiva a partir de uma perspectiva anticolonial e coletiva da arte contemporânea.
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“Este tema convida o mundo a reconhecer esse impacto. Em um mundo em crise, as mulheres negras oferecem saídas. Somos a própria travessia”, afirma a organização em nota à imprensa. “Celebrar Mulheres Negras Movem o Mundo é entender que o que nos move é ancestral, urgente e inegociável. É reconhecer que, se o mundo ainda gira, é porque somos parte fundamental desse movimento”, completa.
Cultura e política no centro do evento
A programação inicia com a abertura da exposição “Alumbramento”, de Nathalia Grilo. A mostra reúne artistas de diferentes gerações, oriundos do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, afirmando a potência da criação brasileira. Para encerrar o dia, a peça “Pequeno Manual Antirracista”, primeiro monólogo de Luana Xavier, debate a importância de uma sociedade antirracista no evento.
Na quinta-feira (24), o festival promove uma programação dedicada ao tema “Jovens mulheres negras e os desafios do trabalho digno“. Ao longo do dia, haverá mesas de debate e atividades culturais. Os eixos abordam a política de cuidados, a Lei da Aprendizagem e os efeitos da crise climática no futuro do trabalho.
Na sexta-feira (25) a programação inicia com a exposição “Chão Ancestral”, na estação Ceilândia Centro. A exposição, fruto de parceria com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), celebra os 279 anos do Quilombo Mesquita e a resistência das mulheres quilombolas brasileiras.
O dia também marca o início da Conferência Livre Distrital de Mulheres do Hip Hop, às 14h, em parceria com a Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop. O encontro articula pautas de artistas da cultura urbana do Distrito Federal e do entorno.
Mais tarde, às 17h, o festival presta uma homenagem à intelectual Lélia Gonzalez, referência nos estudos de raça e gênero no Brasil. A atividade inclui roda de conversa, apresentações culturais e intervenções poéticas.
Na mesma data, a Feira Preta Latinidades reúne empreendimentos liderados por mulheres negras e fortalece a conexão entre cultura, estratégia econômica e inovação. Às 19h, acontece a Batalha Afrolatina, na área externa do Museu Nacional.

O sábado (26) será marcado por uma série de apresentações musicais com Zezé Motta, Karol Conká, Isa Marques, Larissa Luz, Luedji Luna, Nessa Preppy e Duquesa. Os shows encerram a programação artística do festival com foco na diversidade de expressões da música negra.
Duas figuras públicas também serão homenageadas: a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), reconhecida pelo Congresso em Foco como a melhor parlamentar da Câmara dos Deputados em 2024, e a cantora e artista Liniker, que conquistou projeção nacional e internacional com sua trajetória marcada pela originalidade e pelo ativismo.
Mais informações sobre o evento, incluindo a programação completa, estão disponíveis no site do Festival Latinidades.
Serviço
18ª edição do Festival Latinidade – “Mulheres Negras Movem o Mundo”
Quando: 23 a 31 de julho
Horários: consultar a programação
Onde: Museu Nacional da República – Setor Cultural Sul, Lote 2 próximo à Rodoviária do Plano Piloto, Brasília (DF)