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Com espetáculo ‘Erê’, Bando de Teatro Olodum lança manifesto pelas vidas negras

Nova montagem reúne no palco veteranos e novos talentos para celebrar 35 anos do grupo
Cássia Valle em "Erê", espetáculo do Bando do Teatro Olodum.

Cássia Valle em "Erê", espetáculo do Bando de Teatro Olodum.

— Maise Xavier/Divulgação

31 de agosto de 2025

O Bando de Teatro Olodum comemora 35 anos de história com a volta aos palcos do espetáculo “Erê”, em cartaz de 5 a 28 de setembro no Teatro Gregório de Mattos, em Salvador (BA).

Com concepção de Lázaro Ramos, direção de Zebrinha (José Carlos Arandiba) e Cássia Valle, dramaturgia de Daniel Arcades e direção musical de Jarbas Bittencourt, o espetáculo é um manifesto contra a violência do racismo e pelas vidas negras interrompidas.

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Inspirado na peça “Erê pra toda a vida/Xirê”, criada pelo Bando de Teatro Olodum para o Festival Carlton Dance, em 1996, e apresentada no Rio de Janeiro, São Paulo e Londres, o espetáculo estreou em Salvador em 2015, nas comemorações pelos 25 anos do Bando. Agora, Erê ganha uma releitura que resgata e reinventa a obra para o contexto atual, ainda marcado por chacinas e assassinatos cotidianos de pessoas negras.  

A montagem homenageia a trajetória do grupo e insere três novos talentos negros de Salvador, selecionados por meio de audição, que atuarão junto ao elenco completo do Bando, incluindo a atriz Valdinéia Soriano, que interpretou a Neuza, da novela “Volta por Cima” e Dona Manuela, de “No Rancho Fundo”, ambas da TV Globo.  

“O Bando inteiro em cena. 35 anos de histórias, afetos e lutas pulsando no mesmo compasso. Do Erê que nasceu na música, passou pela poesia cênica, ao que agora floresce no encontro de gerações”, define Cássia Valle, escritora, diretora e atriz, que integra o Bando de Teatro Olodum há mais de 30 anos.

Mosaicos de Memória

A nova concepção aposta na reunião inédita de todo o elenco e revisita elementos históricos do grupo, como cenários criados por Hélio Eichbauer e Alberto Pitta e figurinos que dialogam com produções marcantes do repertório do grupo, como “Cabaré da Rrrrraça”. Novos estilistas também assinam peças inéditas, especialmente para os novos integrantes, mantendo a homenagem ao Orixá da Justiça, Xangô, com as cores vermelho e branco.

Para Zebrinha, o coreógrafo e diretor artístico do Bando, revisitar Erê neste momento é também reafirmar a força de um coletivo que resiste e se reinventa.

“A arte do Bando sempre esteve ligada à celebração e à denúncia. Erê é a síntese disso: a gente canta, dança e conta histórias para afirmar que as vidas negras importam e precisam ser preservadas. Ter o elenco inteiro no palco e novos talentos é um presente para o público e para a nossa história”, destaca.

A nova temporada vem na sequência de um período de reconhecimento da crítica e do público. A última montagem do grupo, “2 de Julho – Resistência Cabocla”, de 2023, dirigida por Cássia Valle, Valdineia Soriano e Leno Sacramento, foi vencedora do Prêmio Bahia Aplaude na categoria Direção. 

O Projeto Erê – Bando 35 anos é patrocinado pela Wilson Sons, via Programa de Isenção Fiscal Viva Cultura, da Prefeitura de Salvador, Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) e Fundação Gregório de Mattos (FGM).

Serviço

O quê: espetáculo Erê do Bando de Teatro Olodum

Quando: 5 a 28 de setembro de 2025, sextas e sábados, às 19h; domingos, às 18h

Onde: Teatro Gregório de Mattos, Praça Castro Alves, Centro, Salvador-BA

Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia)

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