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Chacina de Osasco e Barueri completa 10 anos com ato em memória das vítimas

Parentes lembram os 29 mortos por grupo de extermínio formado por agentes de segurança e denunciam impunidade e violência estatal
Dona Zilda Maria de Paula durante protesto em 19 de fevereiro de 2021, na ocasião do júri que absolveu dois dos acusados pela chacina de Osasco e Barueri.

Dona Zilda Maria de Paula durante protesto em 19 de fevereiro de 2021, na ocasião do júri que absolveu dois dos acusados pela chacina de Osasco e Barueri.

— Acervo Associação 13 de Agosto

13 de agosto de 2025

A Chacina de Osasco e Barueri, ocorrida em agosto de 2015, completa dez anos nesta quarta-feira (13). No próximo sábado (16), a Associação 13 de Agosto, formada por mães e familiares das vítimas, realizará um ato no bairro Munhoz Júnior, na divisa entre os dois municípios, para lembrar os jovens mortos por agentes de segurança.

Foram pelo menos 29 vítimas fatais, atingidas por um grupo de extermínio formado por homens da Polícia Militar do Estado de São Paulo e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de Barueri. Encapuzados e fora de serviço, cerca de dez homens atuaram em duas datas, 8 e 13 de agosto de 2015, em suposta vingança pela morte de um policial militar e de um GCM que trabalhavam em segurança privada para comércios locais.

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Nenhuma das vítimas tinha relação com as mortes dos agentes. Muitas foram atingidas quando estavam em bares, a caminho de casa ou buscando comida em estabelecimentos próximos. Os autores da chacina percorreram as ruas atirando contra quem encontravam.

Entre as vítimas, Fernando Luís de Paula, de 35 anos, havia terminado de pintar a casa da mãe quando saiu para cortar o cabelo. No caminho, parou em um bar para beber uma cerveja e levou um tiro no rosto. No mesmo local, dez pessoas foram baleadas e oito morreram.

Julgamentos e impunidade

As investigações iniciais da Polícia Civil identificaram oito agentes envolvidos. Quatro foram inocentados por falta de provas e quatro condenados a penas superiores a cem anos de prisão. Em 2021, um novo julgamento absolveu o policial militar Victor Cristilder e o GCM Sérgio Manhanhã. Em 2023, Cristilder foi reintegrado à PM por decisão do governador Tarcísio de Freitas e do secretário de Segurança Guilherme Derrite.

Para Gabriella de Biaggi, doutoranda em Geografia Humana pela USP e pesquisadora do LASInTec e do Centro de Memória Urbana (CMUrb/Unifesp), o caso expõe a naturalização da violência no país. Ela aponta que o termo “chacina” vem do abate de animais e sua aplicação a mortes provocadas por agentes do Estado revela um processo de desumanização.

Para Joana Barros, arquiteta, socióloga e professora da Unifesp, morticínios como o de Osasco e Barueri são comuns em regiões metropolitanas. Ela ressalta que, sem a mobilização de mães e familiares, muitos desses crimes ficariam sem responsabilização.

“Não fossem as vozes dessas mães e familiares, muitos desses crimes de Estado ficariam esquecidos. Mas é graças a essas mulheres que não caem no esquecimento e, em alguns poucos casos, vemos os policiais sendo julgados e punidos”, explica em nota à imprensa.

Serviço

Ato em memória dos dez anos da chacina de Osasco e Barueri

Quando: 16 de agosto de 2025

Horário: a partir das 14h

Onde: Rua Alagoinha, 940 – Jardim Mutinga/Jardim Munhoz -, Osasco (SP)

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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