A festa de Iemanjá no bairro do Rio Vermelho se soma a outras celebrações do Dia da Rainha do Mar realizadas nesta segunda-feira (2) em diferentes pontos do litoral de Salvador. Na comunidade da Gamboa de Baixo, ocorre uma das celebrações mais antigas e simbólicas, realizada há 47 anos, com a tradicional entrega de oferendas ao mar.
A celebração à orixá, uma das divindades cultuadas nas religiões de matriz africana, surgiu como forma de agradecimento pela fartura do pescado e permanece até hoje como uma expressão de fé, ancestralidade e identidade pesqueira do território.
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O cortejo está previsto para saída as 15h e deve reunir moradores, pescadores e lideranças religiosas em um ritual que reafirma a relação histórica da comunidade com o mar, como gesto de fé, resistência e afirmação da memória coletiva.
A homenagem à divindade é marcada pela oferta de flores e pela montagem de balaios, presentes tradicionais da manifestação religiosa, como o candomblé e a umbanda.
Para a presidenta da Associação de Moradores da Gamboa de Baixo e Ekedi do Terreiro Ilê Oba Adinilá, Ana Caminha, a devoção à Iemanjá atravessa crenças e gerações. “Iemanjá é orixá da prosperidade, elo entre pescadores, ancestralidade e candomblé. Mesmo quem diz não acreditar acredita, porque o mar ensina”, afirma em nota à imprensa.
A festa também reforça as lutas históricas da comunidade, que reivindica o reconhecimento da Gamboa de Baixo como território pesqueiro e tradicional, além da efetivação da Zona Especial de Interesse Social (Zeis) 5, considerada fundamental para garantir o direito à moradia e a permanência dos moradores no território.