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Estudantes do Rio transformam debate sobre racismo em poesia falada

Projeto SLAM nas Escolas levou oficinas de escrita criativa, poesia falada, comunicação e expressão corporal para estudantes da rede municipal
Estudantes participantes do projeto SLAM nas Escolas.

Estudantes participantes do projeto SLAM nas Escolas.

— Divulgação/Assessoria de imprensa

26 de julho de 2026

A poesia falada se tornou ferramenta para discussões sobre racismo, intolerância religiosa, desigualdade social, pertencimento e sonhos para o futuro na batalha final do SLAM nas Escolas, realizada na Escola Técnica Roberto Rocca, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro.

Promovida pelo Instituto Territórios Diversos, com patrocínio da Ternium, a iniciativa reuniu estudantes finalistas de duas escolas públicas de Sepetiba em uma celebração da literatura, da cultura periférica e do protagonismo juvenil. 

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O projeto foi desenvolvido na Escola Municipal Ginásio Emilinha Borba e na Escola Municipal Professor Neemias Rodrigues de Mello e levou oficinas de escrita criativa, poesia falada, comunicação e expressão corporal a mais de 600 estudantes.

Ao longo das atividades, os alunos participaram de batalhas classificatórias até chegarem à etapa decisiva, que reuniu seis finalistas, sendo três de cada escola.

Inspirado nas tradicionais batalhas de poesia falada, o Slam estimula a escrita autoral e transforma experiências pessoais em expressão artística.

Mais do que uma competição, a final revelou o olhar dos adolescentes sobre questões que atravessam o seu cotidiano, mostrando como a arte pode ser uma ferramenta de reflexão, identidade e transformação social.

Leia mais: ‘Aliado na educação’, diz professora ao receber slam e poesia na escola

No palco, cada apresentação trouxe uma perspectiva diferente. Racismo, intolerância religiosa, desigualdade social, identidade periférica, religiosidade, autoestima e orgulho do território foram alguns dos temas que emocionaram o público.

Ana Beatriz da Silva, de 14 anos, escolheu falar sobre fé, ancestralidade e amor próprio. Em sua apresentação, destacou a força da religiosidade como instrumento de resistência e acolhimento: “Com a dor, encontrei o axé, que é tão julgado pelo povinho puritano. Nele, aprendi a ter amor próprio, maturidade, responsabilidade e o mais importante, o amor pelo próximo. Com meus guias, aprendi que a sua opinião eu não transformo em dor, e sim em motivação para ser uma pessoa melhor a cada dia que passa.”

Já Beatriz da Costa, da mesma idade, emocionou a plateia ao transformar em poesia as desigualdades vividas por jovens das periferias. Com o verso “Dá raiva, dá tristeza, mas vou falar: quando você nasce na Zona Sul, você sente que vai ter mais escolhas, mais oportunidades. Quando você nasce na comunidade, a realidade é outra, você se sente inferior, você até se pergunta se ali é o seu lugar”.

Na apresentação decisiva, Beatriz voltou a falar sobre identidade e orgulho das próprias origens. Com o poema “Sigo no trampo focada, firme e forte e nunca pensando em como dar o bote. E sim, sou preta, sou favelada e é isso que me deixa forte”, ela garantiu o primeiro lugar na competição.

Para ela, o slam representa muito mais do que uma disputa de poesia. “Não é só uma forma de expressão, é falar das coisas que nós sentimos. Gostei muito de competir aqui, de falar sobre o lugar onde eu moro, sobre a minha realidade. Estou muito feliz por essa conquista”, comentou. 

A realização da etapa decisiva na Escola Técnica Roberto Rocca marcou a primeira atividade cultural aberta à comunidade promovida no espaço, reforçando a vocação da escola não apenas como um centro de formação de jovens, mas também como um ambiente de cultura, convivência e integração.

Leia mais: Metade dos estudantes não reconhece debate sobre desigualdade racial em sala de aula, aponta pesquisa

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